O forró, na condição de gênero, traz na sua origem três culturas: europeia, africana e indígena. Há estudos científicos na esfera acadêmica sobre a pauta, e que orgulha, ainda mais, quem já ama o forró por instinto
* Antônia Amorosa
O forró raiz, aquele que nos dias atuais enfrenta a mídia paralela, na Europa predomina um movimento amplo através de oficina itinerante que ensina a dançar forró, sendo inserida em dezenas de festivais que se espalham em vários continentes, gerando uma cadeia produtiva independente, crescente, afetiva, interativa e eficaz.
Desde 2016, atuei como coordenadora representante do Estado de Sergipe, através de um movimento nacional que provocou um debate junto a sociedade civil solicitando ao IPHAN, o reconhecimento nacional que foi consolidado, e agora segue em outra etapa – a luta coletiva pelo reconhecimento mundial através da Unesco.
O forró, na condição de gênero, traz na sua origem três culturas: europeia, africana e indígena. Há estudos científicos na esfera acadêmica sobre a pauta, e que orgulha, ainda mais, quem já ama o forró por instinto.
Quando fui convidada em novembro de 2024 pela presidente nacional para compor a equipe da delegação brasileira, como cantora e palestrante, defendi o nome de Mestrinho como nossa representação geracional e midiática do circuito. O fiz por entender que a leitura contemporânea dos atores culturais com notoriedade, deve ser respaldada como linha de frente em favor de um coletivo maior.
Através do Consórcio Nordeste, o Governo de Sergipe acatou a sugestão nacional e os nomes sugeridos. Na linha da sociedade civil organizada, coordenada pela nossa presidente, Joana Alves, tendo na liderança institucional, o governo da Paraíba através do secretário de cultura, Pedro Santos, a presença estratégica dos Estados, gestores, artistas e estudiosos do tema, fizeram juntos, a diferença. O Estado de Sergipe, nesta primeira edição, marcou território histórico, com a presença fundamental do governador Fábio Mitidieri e equipe da secretaria/fundação de cultura que foram muito bem acolhidos em Lille, França.
Atuando como palestrante convidada, com direito a canja acompanhada do colega Mestrinho, o que posso garantir ao povo sergipano é que a apresentação de Sergipe durante o festival esteve entre os pontos altos do evento e mais elogiados pela crítica competente – aquela que viu, ouviu e aplaudiu. Afinal, Sergipe não poderia recuar de tão estratégico espaço de validação cultural, considerando ser o nosso Estado, o pujante e merecido País do Forró!
O show de Mestrinho emociona sempre. A nossa participação através do “Coco da Capsulana” de Ismar Barreto e João Alberto, cantada pelo público no refrão “oi oi oi”, e “Pais do Forró” do inesquecível Rogério envolveu o público; mas, o ponto que levou alguns às lágrimas, se deu no momento em que honramos a memória de Edith Piaf através da canção “Non Je Ne Regrette Rien”, interpretada no ritmo do xote, tendo a preciosa mão de Mestrinho a elaborar um arranjo impecável.
Como vivência e testemunha, asseguro ao leitor: Sergipe brilhou!
* Antônia Amorosa, cantora, compositora.


