Como o ódio se fez presente

* Rômulo Rodrigues

As voltas que o mundo dá trazem sempre grandes ensinamentos, como na sexta feira 12 de setembro de 2025 em que a professora Melina Fachin diretora do setor de ciências jurídicas da Universidade Federal do Paraná, filha do ministro do STF Edson Fachin, foi agredida com cusparadas e insultos por um “homem de bem”, branco e partidário da trilogia “Deus, Pátria, Família” que também a chamou de comunista, contrariando a reação do procurador federal Deltan Dallagnol em 13 de julho de 2015 após uma conversa com o ministro Edson Fachim, assim relatada aos colegas: caros, conversei por 45 minutos com ele e; aha, uhu, o Fachin é nosso, vibrou.
Em resposta seu parceiro juiz Sergio Moro disse: um bom dia afinal. E, no diálogo, anunciou que havia conversado com o apresentador Fausto Silva, Faustão, sobre a lava jato e por isso decidiu retardar a inclusão de supostas provas que levariam o caso ao STF, para ter tempo de manipular as falas dos procuradores investigadores.
Era então, com esse nível de interlocução entre bandidos togados que chocavam os ovos de serpentes para inocular o veneno do ódio na plebe.
Até então o Brasil carecia de anticorpos para à invasão de bactérias desenvolvidas nos laboratórios da 13ª vara federal de Curitiba, onde o núcleo criminoso era controlado pela CIA, para difundir o ódio contra um partido político, a indústria pesada nacional, o desenvolvimento tecnológico no beneficiamento do Urânio para a fabricação de um submarino nuclear que dava garantia de assento permanente no conselho de segurança da ONU.
Tudo funcionando sob o comando absoluto de um juiz parcial de vocabulário tosco, com dificuldade cognitiva de entender um processo e que comandava as instruções processuais pelo ódio de classe com a esperança de vir a ser um notável da República e chegar a ser eleito presidente do país que ajudaria a descer a ladeira do crescimento econômico e parar na perda de sua soberania.
Pode-se dizer que ele e sua gang quase conseguiram, mas, a ganância quando é demais vira bicho e come o dono e o retrato em preto e branco não é digno de botar na parede do quarto mais obscuro e, como quem vai com muita sede ao pote, a celebridade Sergio Moro está sendo arrastado na correnteza do rio das armadilhas do dragões da maldade Valdemar da Costa Neto e Ciro Nogueira e hoje ainda surfando em ondas rasas de marés paranaenses, vê seu futuro mais perto de Jair Bolsonaro do que ser transformado em estrela do filme “Polícia Federal a Lei é para todos” de um roteiro encomendado que como a gatinha parda, ninguém sabe, ninguém viu.
Então, o inesquecível 11 de setembro de 2025 foi de muita comemoração mas a história cobrou a lembrança do de 1973 quando o Palácio de La Moneda foi atacado e quase destruído pelas forças reacionárias do Chile, culminando com o assassinato do presidente Salvador Allende que havia sido eleito pelos votos do povo, que foi morto pelo golpista sanguinário general Augusto Pinochet que implantou uma ditadura militar que durou 17 anos e causou mais de 3 mil mortes de civis homens, mulheres e crianças.
O Golpe do Chile teve o patrocínio do Departamento de Estado dos EUA que para aliciou militares de altas patentes para se apoderarem das minas de cobre e toda sua cadeia produtiva.
No dia 11 de setembro de 2001, 28 anos após o golpe do Chile, às 8h46m o voo 11 da American Airlines atingiu a torre norte do Word Trade Center e às 9h3m o voo 175 da United Airlines atingiu a torre sul, no que foi classificado pela mídia mundial como o atentado terrorista que matou 2.977 pessoas.
Em 11 de setembro de 2025 a 1ª turma do Supremo Tribunal Federal bateu o cutelo da justiça e disse basta ao que seria mais um período de matança via Golpe de Estado e punhal verde e amarelo para anexar um país soberano a um império decadente, estabelecendo, de vez por todas, que o comando da democracia e do Estado Democrático de Direito é civil, pela firmeza de suas instituições.
Mesmo assim, o ódio ainda teima em dar sua cara no congresso nacional sustentado e difundido pelas bancadas do Boi, da Bíblia e da Bala e em algumas instituições civis que abrigam as viúvas e órfãos do criminoso Jair Bolsonaro, também amoitados em redes sociais a praticarem crimes de traições e lesa pátria, a espalharem fake news e pregarem racismo, homofobia, preconceitos, higienização social, eugenia e defesa de ditadura e da tortura.
O contraponto civilizatório cada vez mais forte está em cada canto do país onde se ouve o grito de: sem anistia e cadeia para os golpistas.
A bandidagem não sossega e seu líder menor deputado Nicolas Ferreira mostra estar à frente apregoando aos seus financiadores que demitam por justa causa todo trabalhador que manifestar apoio ao governo Lula e o presidente da câmara dos deputados Hugo Mota infla o balão das maldades fazendo aprovar a PEC da bandidagem e a salvação do mandato de Eduardo Bolsonaro.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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