A virada do jogo é real

* Rômulo Rodrigues

O artigo 5º da Constituição Federal diz que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza e que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta constituição. Porém, vem do fundo do poço um exército de aparentes soldados do crime organizado a recorrer à Revolução dos Bichos de George Orwell para dizer que no entendimento deles, tem os que são mais iguais que os outros.
Foi exatamente isso que a banda podre da câmara dos deputados tentou fazer com a aprovação da PEC da bandidagem que agora bandidos como eles daqui para frente, sendo eleitos, organizados em partidos ou federações partidárias e alcançando o quórum necessário vão mandar e desmandar no país a seus critérios, pois só precisarão para tomar para si o poder do Estado, da obediência dos inocentes úteis e de muita gente de boa-fé que faz campanha cerrada contra o fundo partidário sem levar em conta que é muito pouco em termos de Orçamento Federal e metade do que é gasto de pensão com filhas de militares que podem trocar à vontade de parceiros que só perderão se casarem no civil.
Antes de falar das viradas dos dias 11 e 21 de setembro é necessária uma análise de como após a redemocratização e uma nova Constituição Federal, regredimos a momentos tão tenebrosos.
Antes de focar o olhar nas aparentes inocentes jornadas de junho de 2013 é necessário ver quanto o pacto da Elite do Atraso com a mídia, o PSDB, as oligarquias e o agronegócio condutor da tática da concessão sofreu com o abalo sísmico da eleição da dupla Luiz Inácio Lula da Silva e José de Alencar para presidente e vice-presidente da República em 2002 numa aliança de classe nunca antes imaginável no país, numa mexida magistral no tabuleiro do xadrez da política.
Nessa eleição Lula foi eleito presidente da República com 52.792.865 votos contra José Serra que teve 33.370.441 votos, perdendo apenas no estado de Alagoas pelo placar de 477.009 votos pró e 616.402 contra, com o PT elegendo uma bancada federal de 93 deputados numa representação de 15 partidos e no senado o PT iniciou a legislatura com 10 senadores.
Mesmo com a grande representatividade nas duas casas o PT e o governo do presidente Lula sofreram desde o início do governo e da legislatura em ataques orquestrados das hordas reacionárias que não aceitaram que uma liderança nascida no seio da classe trabalhadora, vinda do chão da fábrica, paradigma marcante da luta de classes, aplicasse um programa de governo aprovado nas urnas e que, para eles era uma afronta, um governo democrático e popular cujos eixos que norteariam a governança fosse a inclusão pelo direito e inclusão pela renda.
A Elite do Atraso é muito esperta no seu convívio com a corrupção e não aceitação da justiça social ao terceirizar e não demonstrar o ódio que sente pela classe trabalhadora e com isso usar de todo seu poder de dissimulação para que o pobre de direita cumpra esse papel e assuma o discurso de que tentar levar para cima os de baixo, mesmo incomodando minimamente os de cima é um sacrilégio; coisa de comunista.
Entretanto o momento é de dar dois passos para trás para poder dar um para frente e isso está sendo feito quando a sociedade já enxergou que é hora de releitura das suas táticas das Elites e está saindo do silêncio ante a repressão e avançando na conquista da soberania, sem concessão.
Então vamos ao período de 1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985 que durou de 21 anos de repressão, em que o país foi sufocado por uma casta militar violenta que se locupletou, torturou, matou, deu sumiço a cadáveres, exilou democratas e patriotas para depois conceder uma anistia meia boca e, o pior legado, institucionalizou a corrupção, que hoje cinicamente diz combater.
Tudo isso como forma de governar com o apoio de uma significativa parte de uma sociedade civil composta por covardes e traidores da pátria, por um período muito longo cuja fadiga de materiais de baixa qualidade resistiu a um longo e silencioso período de tomada de consciência das massas, até serem enxotados do poder.
E a democracia veio para ficar e o exemplo definitivo é o passo à frente iniciado pelo julgamento histórico do dia 11 de setembro, passando pela tomada das ruas, praças, becos largos e estreitos do dia 21 e; a glória suprema do discurso do presidente Lula na abertura da reunião da ONU em que foi 4 vezes aplaudido e aplicando uma saia justa ao pulha nº 1 do momento que, só o Jornal Nacional tentou encobrir, vergonhosamente, por ser o ídolo do partido midiático e da Faria Lima.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

Compartilhe esta notícia