Ao contrário da disputa para governador, que caminha para uma reeleição tranquila, a eleição para o Senado em 2026 será barulhenta e movimentada, sem favoritos
O publicitário Carlos Cauê, maior vitorioso do marketing político em Sergipe, confirmou que está fechando um acordo com o senador Rogério Carvalho (PT) para fazer a sua pré-campanha pela reeleição em 2026. A princípio, o acordo terá validade até o período das convenções partidárias previstas para meados do próximo ano.
Nas conversas com Rogério, Cauê disse ter deixado claro que não abriria mão de seus compromissos com o governador Fábio Mitidieri (PSD), de quem é assessor, na disputa pela reeleição. Ele foi quem comandou a campanha em 2022 e pretende repetir a dose nas próximas eleições.
Próximo ao ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) de quem coordenou as suas campanhas e foi secretário de Comunicação na Prefeitura de Aracaju, Cauê disse que antes de aceitar o convite de Rogério conversou em duas oportunidades com o ex-prefeito, que também é pré-candidato ao Senado. “Em nenhum momento ele fez qualquer aceno político e/ou profissional”, justifica o marqueteiro que está há quase um ano sem trabalho. Sua última ocupação na área foi a coordenação da campanha de Luiz Roberto (PSD) à Prefeitura de Aracaju.
Para Cauê, o contexto nacional favorece muito a candidatura à reeleição de Rogério Carvalho, atual líder do PT e, em exercício, do governo no Senado Federal. Mesmo assim alerta que a disputa para o cargo no próximo ano será muito difícil, em função do número de interessados em participar da eleição.
No início de agosto, Carlos Cauê publicou aqui, no JD, o artigo “O disputado Senado”, em que faz ponderações sobre a complexa eleição em 2026. Alguns trechos:
“A disputa pelo Senado também promete momentos palpitantes nos próximos capítulos. Um time de pesos pesados comparece à arena e todos, a meu ver, possuem chances reais de alcançar êxito nas eleições. Alessandro Vieira, André Moura, Eduardo Amorim, Edvaldo Nogueira, Rodrigo Valadares e Rogério Carvalho representam, queiramos ou não, um belo time de lideranças, construído na política sergipana. Todos, guardadas as peculiaridades de cada um, com uma boa lista de serviços prestados a Sergipe e com habilidades políticas que os credenciam a disputa. Não é á toa que dois deles – Alessandro e Rogério – são senadores que buscam a sua reeleição, e Eduardo Amorim já teve a gloriosa experiência de ser eleito senador por Sergipe em 2010.
Embora a ciranda das pesquisas coloquem um ou outro em posição vantajosa em relação aos demais, o jogo ainda está apenas começando. E há muita água para passar debaixo dessa ponte. Portanto, ninguém pode ser subestimado.
O fato de Alessandro e Rogério serem atuais senadores pode dar a eles certa vantagem. Ou não. É a luta para convencer o eleitorado de que fez a escolha certa há oito anos e pedir a renovação do voto. E se o Brasil e Sergipe mudaram muito nesses oitos anos, os dois também tiveram o instrumento de seus mandatos para acompanhar essas mudanças e tornar legítimo, com seu trabalho e atuação política, o voto recebido lá atrás.
Rogério tem um partido forte, que hoje, mais do que nunca, carrega a sua marca política pessoal, e uma trajetória política em Sergipe invejável. Milita desde a adolescência e ao longo de décadas galgou cada posto com esforço e capacidade. Tem um mandato silencioso, enraizado em todo estado. Na eleição passada para governador fez bonito, embora tenha tropeçado no segundo turno. É um candidato forte, sobretudo pela conjuntura política nacional, que pode mais uma vez cingir as eleições do próximo ano.
Alessandro tem um mandato visível, que vem ganhando luminosidade a cada dia. Uma atuação parlamentar notável. Teve a capacidade e a coragem de recentrar o eixo de seu mandato – obtido numa conjuntura singular do país – e construí-lo em acordo com seus princípios e com o inegável aprendizado que a seara política-parlamentar lhe proporcionou. De um senador quase tímido, sem base política local, Alessandro foi avançando com maturidade para a compreensão de seu papel e soube como ninguém utilizar o seu mandato como um instrumento legítimo de cidadania.”
No artigo, Cauê também destaca as pré-candidaturas de Edvaldo, André Moura (União), Rodrigo Valadares (União) e Eduardo Amorim (PSDB) como já consolidadas, e conclui: “Tais pontuações que faço aqui estão longe de uma análise acurada sobre cada um dos postulantes. Aliás, há outros nomes que se apresentam à disputa. Este artigo quis apenas tratar desses contendores. E são apenas traços gerais que faço a partir de uma observação muito particular. Repito: todos têm chance.”
Ao contrário da disputa para governador, que caminha para uma reeleição tranquila, a eleição para o Senado será barulhenta e movimentada. Não há favoritos.
Pintura sobre tela da artista Rita RibeiroPEC da Bandidagem
Esta semana, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado enterrou, por unanimidade, a chamada PEC da Blindagem, ou da Bandidagem como foi batizada pela população. O texto previa que, a partir da expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, nem processados criminalmente sem prévia licença de sua Casa. E ainda em votação secreta, para que absolvam eles mesmo dos seus crimes e sem o povo saber quem votou a favor e contra.
Na Câmara, três dos seis deputados federais por Sergipe votaram a favor da PEC: Gustinho Ribeiro (Republicanos), candidato à reeleição em 2026; Thiago de Joaldo (PP), que tem pretensão de disputar o governo; e Rodrigo Valadares (União Brasil), pré-candidato ao Senado.
No Senado, o relator foi Alessandro Veira (MDB), para quem a PEC é destinada a proteger quem comete crime. “A Proposta é inoportuna, equivocada e inconstitucional. Cria uma casta privilegiada que vai poder cometer qualquer tipo de crime na esfera federal, mas também na distrital e estadual. É literalmente uma PEC que protege bandido e ela não vai ter abrigo aqui no Senado”.
A decisão do Senado sobre a PEC da Bandidagem inibiu o presidente da Câmara, Hugo Mota |(Republicados-PB), de colocar em votação a chamada da Anistia, que perdoa os crimes cometidos contra a democracia em janeiro de 2023, que alcança também o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No último dia 17, os deputados aprovaram por 311 votos a favor e 163 contrários, a urgência para um projeto de lei que concede anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos. De Sergipe, o único a votar contra a urgência para a anistia foi o deputado federal João Daniel (PT).
Delegada Katarina (PSD), Fabio Reis (PSD), Gustinho Ribeiro (Republicanos), Rodrigo Valadares (União), Thiago de Joaldo (PP), Yandra Moura (União) e Ícaro de Valmir (PL) votaram a favor da urgência da anistia.
Aumento da Iguá
O deputado Marcos Oliveira (PL) criticou a concessionária Iguá Sergipe e denunciou o aumento nas contas de água mesmo após o período de desabastecimento vivido pela Grande Aracaju. Segundo ele, o problema tem gerado uma série de reclamações da população.
De acordo com o deputado, muitas reclamações têm chegado ao gabinete e às suas redes sociais. “Após o rompimento da adutora e a falta de abastecimento de água na Grande Aracaju, muitas pessoas denunciaram que, ao contrário do que foi dito na imprensa, a conta de água veio mais alta. Pessoas que em agosto pagaram um valor X, chegaram a pagar até o dobro agora, no mês de setembro”, afirmou o parlamentar.
Marcos Oliveira destacou que, além da ausência de descontos, há relatos de cobranças abusivas, o que, na visão dele, precisa ser apurado de forma criteriosa.
Além do aumento da tarifa de água, a Iguá vem contribuindo para a buraqueira nas ruas de Aracaju, com esgotos estourados em todos os bairros. Com a complacência da prefeita Emília Correia (PL).
Redução de agrotóxicos
O Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), resultado de mais de dez anos de reivindicação no âmbito da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), ganhou um marco histórico esta semana. Foi assinada, pelo ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral da Presidência da República, a portaria que institui o Comitê Gestor Interministerial do programa. O ato se deu durante o encerramento da 29ª Reunião da CNAPO, no Palácio do Planalto.
“O Comitê Gestor do Pronara é uma conquista histórica construída por muitas mãos, fruto da luta dos movimentos sociais e do compromisso do presidente Lula. O Brasil, que é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, precisa fortalecer a agroecologia, a agricultura familiar e garantir soberania alimentar com comida saudável e sem veneno”, destacou o ministro.
O Pronara tem como objetivo reduzir progressivamente o uso de agrotóxicos, especialmente os mais perigosos, e ampliar alternativas sustentáveis de produção agropecuária, alinhadas à agroecologia e à agricultura orgânica.
Plebiscito popular
O Plebiscito Popular 2025, organizado pelas entidades das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo – entre elas a CUT, demais centrais sindicais, movimentos sociais, populares e estudantis, entre outros – está na sua fase decisiva. A consulta, que já mobilizou milhares de pessoas em sindicatos, comunidades, escolas, igrejas, associações de bairro e nas redes sociais, segue ampliando a participação popular e fortalecendo a luta por justiça social e tributária no país.
Até o dia 28 de setembro, acontece em todo o Brasil o Mutirão Nacional de Coleta de Votos, que é um grande esforço coletivo para ampliar a participação no Plebiscito Popular 2025. O prazo final de votação vai até 12 de outubro.
Durante a semana de mutirão, a campanha contará com panfletagens, rodas de conversa, encontros culturais e ações nas redes sociais por todo o país. O endereço é https://linktr.ee/plebiscitopopular2025


