*Gilvan Manoel
gilvanmanoel@jornaldodiase.com.br
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Emília Corrêa faz uma gestão pífia, se afasta de antigos aliados que ajudaram na sua eleição, e brinca de fazer política
A prefeita Emília Corrêa (PL) e o vice Ricardo Marques (Cidadania) ficam cada vez mais distantes. A prefeita, com sua redoma populista e autoritária, não quer sombras e não admite a possibilidade de ser questionada.
Faz uma administração controversa, alheia aos anseios da população. Já deixou a cidade tomada pelo lixo e sem ônibus. Tudo para marcar posição e contratar empresas amigas.
Não é afeita a licitações. Impõe o critério de contratações emergenciais e assim vai burlando a lei para evitar que grupos ligados a adversários políticos possam fazer serviços com o município.
Emília se transformou numa máquina de propagar fake news. Toda semana tem uma conversa nova, sem qualquer conexão com a realidade.
Começou denunciando um tal ‘sistemão’ que teria enfrentado desde a época da campanha eleitoral e nunca soube explicar direito do que se tratava; atacou o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) sem nenhum fato concreto, a não ser a se contrapor contra a antiga administração; inventou que estava sendo ameaçada para justificar o aluguel de um carro blindado ao custo de R$ 312 mil anuais; agora diz que poderá ser candidata a governadora caso criem dificuldades para a sua gestão.
Sobre as supostas ameaças, a prefeita não prestou queixa junto à Secretaria da Segurança Pública, Polícia Federal ou qualquer órgão de segurança. O argumento serviu para o aluguel do veículo blindado, em um contrato com dispensa de licitação, justificado pela necessidade de assegurar a segurança da prefeita em suas atividades.
Há poucos meses, Emília disse, durante entrevista à rádio Rio FM, que existem pessoas fazendo de tudo para torná-la inelegível e que ela sabe disso através dos bastidores, mas não pode dar mais informações porque não tem provas. “A gente já sabe que o querem é tornar Emília inelegível. O que eu estou fazendo para me tornar inelegível? Absolutamente nada. Eu estou cuidando da cidade e trabalhando. Eu gosto de trabalhar, não gosto de jogar, mas vivem jogando”, declarou.
.Ela também afirmou que essas pessoas estão tentando ofuscar as boas ações da sua gestão. “Do lado de lá, todos juntos, com poderes político e econômico absurdos, contra a gente, mas não tem poder que ganhe a força que o povo tem. E o ‘sistemão’ todo vem pra cima agora”, enfatizou.
O presidente da Câmara, vereador Ricardo Vasconcelos (PSD), pediu a apresentação de nomes. Ricardo disse que iria perguntá-la pessoalmente quem são essas pessoas porque quer ajudar na situação. De acordo com o parlamentar, nenhum membro do seu partido, o PSD, tem agido de tal forma. “Já que foi feita a fala, agora é preciso dar nome aos atores, agora a gente quer saber quem é que está trabalhando de forma injusta e que está articulando de forma indecente”, pontuou.
O vereador afirmou ainda não ter conhecimento sobre processos na Justiça Eleitoral contra a prefeita e que, do ponto de vista político, não existem movimentações nesse sentido. “Quando ela faz uma fala daquela, ela deixa as forças políticas de uma forma muito desconfortável, por que se refere a quem? Então, a gente quer saber quem são essas pessoas que estão supostamente tramando contra ela para que a gente possa ajudar nessa situação”, reforçou.
Questionado sobre as declarações de Emília, governador Fábio Mitidieri (PSD) destacou que não faz parte de nenhum ‘sistemão’ e desafiou a prefeita a formalizar as denúncias. “Ela disse que foi ameaçada, mas nunca procurou a SSP para registrar quem a estaria ameaçando. Agora diz que querem torná-la inelegível, mas também não diz quem. Coloco a Secretaria de Segurança Pública do Estado à disposição da prefeita para que ela possa formalizar suas denúncias. Não dá para só vir a público e jogar essas acusações ao vento”, afirmou.
Para o governador, esse padrão de declarações vagas e sem responsabilização precisa ser superado: “É muito sério o que ela fala. A liturgia do cargo exige responsabilidade. Não se pode lançar acusações sem dar nome aos bois. Se está sendo perseguida ou ameaçada, que procure a SSP, até mesmo de forma sigilosa, para que se inicie uma investigação. Isso é de interesse público”.
Na época, ainda amiguinho de Emília, o vice Ricardo Marques saiu em sua defesa e insinuou que o governador estaria com medo de uma eventual candidatura da prefeita ao governo do estado em 2026. Este, na verdade, é o sonho do vice-prefeito que poderia se tornar prefeito titular.
Emília Corrêa faz uma gestão pífia, se afasta de antigos aliados que ajudaram na sua eleição, e brinca de fazer política. Dificulta a sua própria administração, cada vez mais isolada.
Escultura do artista Eurico LuizUm gesto político
Márcio Macêdo tenta transformar a sua demissão do ministério como uma decisão pessoal visando a sua participação nas eleições de 2026, quando pretende ser candidato a deputado federal. Ele foi demitido pelo presidente Lula, que reclamava uma maior proximidade do governo junto aos movimentos sociais.
Ao transferir o cargo para Guilherme Boulos, na quarta-feira (29), Macedo destacou os avanços da participação social no Brasil e reafirmou seu compromisso com Sergipe e com o projeto político liderado por Lula. “Entrei nesta Casa com o vento quente da esperança que vem do Nordeste brasileiro, do meu Sergipe. Hoje passo a missão adiante com a certeza de um legado coletivo: a participação social como método de governo”, afirmou.
Entre os legados da gestão, Márcio Macedo destacou a aprovação da Política Nacional de Economia Solidária, o fortalecimento da educação popular, o recorde histórico de 1,4 milhão de beneficiários do ID Jovem, o Programa Pró-Catadoras e Pró-Catadores, com mais de R$ 425 milhões em investimentos, e o programa Meu Município pelos ODS, que incentiva gestores locais a incorporarem as metas da Agenda 2030.
Em tom emocionado, anunciou que volta seu olhar para Sergipe, seu estado de origem, com vistas ao processo eleitoral de 2026. “Sergipe veio comigo e eu vou com Sergipe. É meu chão, meu ponto de partida e meu porto de chegada. Estou pronto para me colocar à disposição do povo sergipano e seguir ajudando o presidente Lula na missão de fortalecer um projeto nacional baseado em justiça social, democracia e desenvolvimento sustentável”, disse.
A decisão de Márcio em disputar para vaga para a Câmara Federal e não para o Senado, como pretendia inicialmente, facilita a sua vida dentro do PT sergipano, hoje presidido pelo senador Rogério Carvalho, que disputará a reeleição.
Empréstimo aprovado
Foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) da quarta-feira (29), o resultado da avaliação das propostas referentes ao chamamento público para contratação de operação de crédito de R$ 350 milhões que será realizada pelo Governo de Sergipe destinada à modernização tecnológica, infraestrutura, aparelhamento e estruturação de ativos da Administração Pública estadual. Quatro instituições financeiras manifestaram interesse em participar do processo e a proposta considerada mais vantajosa foi a do Bradesco.
No processo de avaliação realizado pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), o critério adotado foi o de menor Custo Efetivo Total (CET), levando em consideração a base de cálculo da taxa de juros, taxa de liquidação antecipada e juros básicos. Na proposta apresentada pelo Bradesco, a operação terá o custo da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), acrescida de 0,82% ao ano.
O contrato terá a duração de 120 meses, já considerando o prazo de carência, que é de um ano após a assinatura dos documentos. Os valores serão desembolsados em até 30 dias após a assinatura do contrato.
Contas do PL
Por 4 votos a 3, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou com ressalvas as contas do Diretório Nacional do Partido Liberal (PL) referentes à arrecadação e à aplicação de recursos financeiros nas Eleições Municipais de 2020. O Colegiado reconheceu irregularidades na gestão de verbas públicas envolvendo sobras financeiras de campanha e a ausência da aplicação de recursos em ações afirmativas raciais. A decisão se deu em sessão realizada no Plenário Virtual na noite de quinta-feira (30).
Ao acompanhar o voto do relator, ministro Nunes Marques, a maioria dos ministros determinou que a agremiação aplique R$ 814.413,56 do Fundo Partidário e R$ 14.260.374,02 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) em candidaturas de pessoas negras e pardas em quatro eleições subsequentes, a contar do pleito de 2026. A legenda deixou de aplicar a cota mínima de recursos públicos nas ações afirmativas raciais nas Eleições 2020.
O Plenário determinou ainda a devolução de R$ 9.671,61 aos diretórios municipais de Cuiabá (MT) e de Itaquaquecetuba (SP) por recebimento irregular de sobras oriundas de recursos do Fundo Partidário em campanha de candidatos ao pleito municipal.
Para o relator, as falhas detectadas, mesmo gravosas, não afetaram a fiscalização das contas pela Justiça Eleitoral nem o controle social da aplicação de recursos financeiros na campanha e, portanto, não são capazes de justificar a desaprovação das contas da agremiação.
Mesmo reconhecendo que o montante de recursos movimentados seja expressivo, o ministro votou no sentido de aprovar as contas com ressalvas, ao entender que “não há indícios de ocultação de valores, tampouco prejuízo à contabilidade das contas, já que todas as informações foram registradas na prestação de contas”.
O julgamento foi concluído em sessão extraordinária do Plenário Virtual realizada na quinta-feira (30). Ficaram vencidos a ministra Isabel Gallotti e os ministros Antonio Carlos Ferreira e Floriano de Azevedo Marques, que se posicionaram pela desaprovação das contas.

