Milton Alves Júnior
O Instituto Médico Legal (IML), confirmou no início da manhã de ontem a morte de quatro homens no Conjunto Fernando Collor, município de Nossa Senhora do Socorro, região Metropolitana de Aracaju. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), agentes da Polícia Militar foram encaminhados para uma residência, onde – conforme denúncias anônimas, estava o quarteto suspeito de integrar um grupo responsável por praticar homicídio e tráfico de drogas. Pelos agentes foi informado que, ao chegar no local, os homens estavam armados e reagiram a voz de prisão com disparos contra as equipes.
Por estar cercada, a residência foi alvejada com a reação das forças de segurança, e os quatro suspeitos morreram ainda no local. Em contraponto, familiares e vizinhos denunciaram que os jovens dormiam no momento da abordagem e foram assassinados pelos agentes da PMSE. Diante da operação, pessoas revoltadas com a metodologia da SSP tentaram invadir a residência, mas foram impedidas pelos policiais. Pela Superintendência da Polícia Civil foi informado que o caso é investigado. A expectativa é que um relatório pericial seja finalizado e apresentado em até 30 dias. Caso os técnicos avaliem necessário, esse prazo pode ser prorrogado por mais um mês.
“Eu estava trabalhando quando recebi a ligação de um vizinho inconformado, dizendo que era pra correr aqui para casa porque meus dois filhos (de 21 e 27 anos) foram executados pela polícia. Todo mundo aqui viu meus filhos crescerem, nenhum deles tem passagem pela polícia, são jovens do bem. Temos muitas testemunhas de que a polícia chegou, invadiu a casa, espancou eles e depois matou. Diz a polícia que houve troca de tiros, mas em momento algum eles dispararam contra os agentes; todos os tiros foram feitos pelos próprios policiais”, declarou Josinete Santos.
Sobre as denúncias indicando provas plantadas, ela completou dizendo: “Depois que tiraram os corpos e jogaram na viatura, um policial a paisana entrou com uma sacola e botou armas e drogas espalhadas pela casa. Nós temos fotos e vídeos desse policial entrando na casa e esperamos que o governo de Sergipe investigue de verdade essa chacina que a polícia fez aqui na comunidade, contra jovens, entre eles meus dois filhos. A gente quer justiça contra quem fez e autorizou essa covardia.”


