* Rômulo Rodrigues
E o dia foi 3 de janeiro de 2026 quando a mando de Donald Trump piratas do Caribe invadiram a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa em plena madrugada e os levaram presos para os EUA, em um típico ataque terrorista, causando a maior instabilidade no continente latino-americano e apreensão no mundo civilizado.
A capital Caracas foi atacada em vários pontos durante a ação e falam em 52 mortes na guarda presidencial, que é repercutida na mídia patronal como para restabelecer a democracia no País, como se fosse tarefa da terra do Tio Sam, e não vício. Sim, senhores, eles dizem combater o narcotráfico, quando na verdade são viciados em atacar outros países para saquear suas riquezas e não foi Maduro quem disse; é a história quem prova.
Só para comprovar é simples fazer a conta; de 1945 até 2011 os EUA invadiram 54 países e não levaram democracia a nenhum; pelo contrário, roubaram riquezas e montaram ditaduras onde até existia democracia e, o mais cruel, é o único país na face da terra que jogou bomba atômica em outro país; logo duas.
A Venezuela tem a maior reserva de Petróleo do mundo, de exploração imediata enquanto o Brasil tem a 2ª maior reserva de terras raras cujo processo da extração até o refino demora mais de uma década e mesmo assim é muito cobiçada.
O ataque à Venezuela obedeceu a uma cronologia que começou com ataques cibernéticos contra a petroleira venezuelana e às instalações de defesas do país com helicópteros invisíveis atacando o palácio e o quarto do casal, segundo notícias na imprensa que dá para confiar; que registra como palavras de Trump que o Petróleo na Venezuela é dos EUA e a conquista é um passo à frente para reeditar a Doutrina Monroe que já tem mais de 200 anos.
Para o Brasil, a Estratégia, segundo ele, será aterrorizar o povo contra a candidatura do presidente Lula como sendo aliado de Maduro e, portanto, inimigo dos EUA, incitando o povo a repudiá-lo e eleger um candidato da extrema direita, amigo dele e subordinado aos EUA.
O que se viu no momento foi a mídia patronal aplaudindo um assalto com sequestro do presidente da República e sua esposa, de um país vizinho, em flagrante violação de todas as leis e tratados de autodeterminação dos povos, sem autorização do congresso do seu país e sem consulta alguma ao Conselho de Segurança da ONU, de forma abrupta e ditatorial o que já foi repudiado por ampla maioria e pelo resto do mundo.
A imprensa não noticia o flagelo que ora assola regiões dos EUA com brutal empobrecimento da população onde muitos encontram como saída desesperada o suicídio ou o uso crescente da droga que o governo federal não tendo nenhuma política de combate e acolhimento usou como narrativa midiática matar dezenas de pessoas que passavam de barcos em águas internacionais acusando, sem provas, de serem narcotraficantes, quando se sabe que os chefes do tráfico moram em lugares próximos à Casa Branca.
É preciso deixar claro que a questão central não é Nicolás Maduro que, mesmo podendo ser classificado como autoritário ou até ditador, em comparação com Donald Trump, pode até ser chamado de democrata ao seu modo, tendo como força de argumento nunca ter ordenado invasão de outro país para roubar suas riquezas.
Não é fora de contexto que o papa Leão XIV estadunidense naturalizado peruano, onde sentiu de bem perto o que uma ditadura financiada pelo seu país, a de Albert Fujimori, tenha vindo a público dizer que a Venezuela deve permanecer independente, coisa que toda pessoa de boa intenção sabe; não se trata de defender Maduro, a questão é a ganância sobre o Petróleo.
No final da tarde do último domingo enfim, veio a verdade; Donald Trump anunciou a intenção de declarar guerra a toda a América Latina e o BRICS, provocando a formação da aliança sino, russa, iraniana e a intensificação da substituição do dólar por moedas locais em transações internacionais.
Mais uma vez a mídia patronal não dá destaque ao essencial que é o anúncio do invasor de que vai governar o país invadido e controlar o Petróleo, sem falar uma vez sequer em drogas, deixando claro que seu novo paradigma é não respeitar regra nenhuma.
O ditador do Norte errou nos cálculos e pode levar os BRICS a ser um polo fortíssimo na geopolítica da alternativa prática, também chamada de Real Política, e a Índia já prometeu enviar medicamentos para o país invadido; com declarações de que a invasão à Venezuela é uma ameaça ao Sul Global e que Washington está ficando isolado e que o sistema financeiro alternativo já foi ativado e que a Venezuela opera fora do dólar, deixando claro que existe alternativa ao poder do Tio Sam.
Neste dia em que o povo brasileiro vai às ruas reafirmar a defesa da soberania e do Estado Democrático de Direito, passarinhos estão cantando que O Louco dá o primeiro sinal de recuo dizendo que Nicolas Maduro não chefe do tráfico e sim, amigo de traficantes.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


