Monumento ao Cristo Redentor de São Cristóvão, SE, 100 anos de Fé e História: o mais Antigo do país

(Foto: Divulgação)
*Gaspeu Fontes
Em 26 de janeiro de 1826, o Governador Graccho Cardoso inaugura o monumento ao Cristo Redentor. O Jornal Católico A Cruzada, em sua edição de 25 de dezembro de 1825, anuncia que a inauguração será a maior festa religiosa já registrada nas Cidades de São Cristóvão e Aracaju até aquela data. A construção do monumento ao Cristo Redentor foi sem dúvida o maior acontecimento festivo religioso até aquela data realizado em São Cristóvão e Aracaju de 1826. Segundo, ainda, o Jornal, para a inauguração foram convidados pelo Bispo Diocesano os seguintes Prelados: o arcebispo de Olinda e Recife; o arcebispo de Fortaleza; o arcebispo de Maceió; o Bispo de Ilhéus; o Bispo de Penedo, dentre outros; conforme consta no Jornal A Cruzada de 6 de abril de 1824, o pregador oficial foi o revd.mo. Padre Luiz Gonzaga Cabral. Contabilizados muitos religiosos que estavam acompanhando os arcebispos e os que residiam na região. Sem dúvida o maior evento religioso já registrado em São Cristóvão Sergipe até aquela data.
A sua construção foi iniciada em 1924 e a estátua foi inaugurada em 26 de janeiro de 1926 na Colina de São Gonçalo, no bairro, hoje denominado, Romualdo Prado.
A estátua tem cerca de 16 m de altura e seus braços não estão totalmente abertos como no Rio, mas tem um estilo próprio e considerável valor histórico. O do Rio de Janeiro foi inaugurado em 1831, no governo de Getúlio Vargas. Inserido num projeto nacional, com forte repercussão internacional. Pensado como símbolo do Brasil moderno, unificado sob a fé cristã. O de São Cristóvão em escala modesta é proporcional à paisagem histórica da cidade. Integra-se de forma discreta ao ambiente urbano e colonial. Não busca grandiosidade, mas proximidade simbólica.
O Monumento ao Cristo Redentor de São Cristóvão, surge num contexto regional, ligado à valorização da antiga capital sergipana. Reflete a religiosidade popular e o desejo de preservar a memória histórica da Cidade. O Cristo Redentor do Rio de Janeiro – o mais famoso internacionalmente – foi inaugurado em 12 de outubro de 1931. Tornou-se um ícone mundial, reconhecido internacionalmente. Já o exemplar de São Cristóvão foi erguido cerca de 5 anos antes. Por isso, pesquisadores e organizações culturais afirmam que o monumento de São Cristóvão é o primeiro ou mais antigo Cristo Redentor do Brasil, anterior ao famoso monumento carioca. A estátua está situada na Colina de São Gonçalo, o ponto mais alto da cidade de São Cristóvão (SE), a cerca de 2 km do Centro Histórico – onde também há um conjunto arquitetônico colonial tombado. A obra foi encomendada pelo governo de Sergipe, Graccho Cardoso, que esteve à frente do estado entre 1822 à 1826. cerca de 5 anos antes da famosa estátua do Rio de Janeiro. A estátua foi projetada pelo arquiteto italiano Bellando Bellandi, que fazia parte da chamada Missão Italiana em Sergipe, atuou no estado naquele período e desenvolveu diversas obras arquitetônicas. A escolha de um arquiteto estrangeiro não era incomum na época e realça a importância dada ao projeto local. A estátua tem aproximadamente 16 metros de altura, composta por 6 m da figura de Cristo e 10 m da base/pedestal, além de 1,4m cada braço. Foi construída em concreto armado, material que na época já representava uma técnica moderna para esculturas monumentais. Diferente da estátua carioca, os braços não estão totalmente abertos para os lados, mas posicionados de maneira que transmitem uma expressão de acolhimento e “chamada para um abraço”.
Durante décadas – especialmente até meados da década de 1980 – o local foi utilizado para celebrações religiosas, como missas campais, além de festas populares, excursões escolares e lazer de famílias. O monumento já foi um dos principais pontos turísticos da cidade e permanece sendo um símbolo religioso e cultural para a população local e visitantes. Em 2021-2022, foi declarado Patrimônio Histórico, Cultural e Material do Estado de Sergipe pela Assembleia Legislativa, reforçando sua relevância cultural. Nos últimos anos, a prefeitura de São Cristóvão iniciou projetos de revitalização do espaço ao redor do Cristo Redentor, incluindo melhorias no mirante e na infraestrutura de acesso, além da construção de um restaurante panorâmico para ampliar a visitação. Não podemos esquecer que foi importante as questões de segurança implementada no local.
Fazendo uma linha do tempo, teremos: 1824 – Início da construção sob encomenda do governo de Sergipe, Graccho Cardoso; 26 de janeiro de 1926 – Inauguração oficial do monumento.
Décadas seguintes – Uso religioso e turístico intenso.
2021-2022 – Reconhecimento como patrimônio histórico e início de obras de requalificação pela prefeitura municipal de São Cristóvão, SE.
O Monumento ao Cristo Redentor de São Cristóvão para Sergipe e, de modo especial, para São Cristóvão, ultrapassa o valor religioso. Ele se manifesta em dimensões históricas, simbólicas, culturais, turística, identitárias e patrimoniais.
Na verdade, o Monumento ao Cristo Redentor, erguido no ponto mais alto da cidade, simboliza Proteção espiritual sobre São Cristóvão e seu povo; A centralidade da fé católica na formação histórica e social do município; um marco de devoção coletiva, que por décadas foi palco de missas campais, romarias e encontros religiosos. Enfim, para gerações de cristovenses, o Cristo não é apenas uma estátua, mas um sinal visível de fé, esperança e acolhimento. Integra o conjunto simbólico que sustenta o sentimento de pertencimento do povo cristovense. Em resumo, o Cristo Redentor de São Cristóvão é um marco pioneiro e identitário, nascido da devoção e da história sergipana. o Cristo do Rio de Janeiro é um símbolo monumental e universal, projetado para representar o Brasil diante do mundo.
            A requalificação e ampliação do Monumento ao Cristo Redentor de São Cristóvão trouxe vários benefícios concretos para a cidade – tanto para moradores quanto para turistas e a economia local.
*Gaspeu Fontes, professor aposentado da Rede Pública e escritor
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