‘Caminhos que atravessam’ no Cultart

Da rua para a galeria.(Divulgação)

A artista visual urbana Juliana Vila Nova (Buga) abre no dia 04 de março, às 17 horas, a sua primeira exposição individual: “Caminhos que me atravessam”. A mostra acontece no Cultart – Centro de Cultura e Arte (Av. Ivo do Prado, 612 – São José), com visitação gratuita até 31 de março.
Com 14 anos de trajetória entre a rua e a academia, Buga apresenta um conjunto de obras que transitam entre o graffiti, a pintura, a instalação e o objeto. A exposição é marcada pela presença recorrente de olhos, cortes, vazios e grafismos — elementos que funcionam como perguntas visuais sobre o que sobra depois das escolhas, das perdas e dos atravessamentos da vida.
A pesquisa da artista investiga o apagamento feminino na história da arte, as narrativas de povos originários e a potência do que é deixado à margem. Um dos destaques é uma tela com referências Karapotó, encontrada por ela no lixo e revitalizada com uma intervenção crítica: sobre a imagem, Buga inseriu um Espírito Santo, não como símbolo de fé, mas como denúncia à catequização e ao extermínio de povos indígenas. O rosto, propositalmente borrado, aponta para o apagamento histórico e para o limite ético de qualquer representação.
Outra obra de forte apelo participativo é uma garrafa com um pano dentro, onde o público é convidado a escrever algo que queira “explodir” — um medo, uma raiva, um desejo, um silêncio — e devolvê-lo à garrafa, alimentando simbolicamente o pavio da obra.
Durante a visitação, o público poderá acessar, por meio de QR codes, vídeos em que a própria artista fala sobre o processo de criação de cada obra — um convite à escuta e ao mergulho no universo poético e político que atravessa seu trabalho.
No embalo da mostra, em alusão ao Mês das Mulheres,Buga ministra a oficina “Rastros de Resistência”, no dia 09 de março. A atividade media uma introdução ao graffiti para iniciantes, especialmente voltada para mulheres e pessoas que se identificam com o feminino. A atividade é gratuita.
A artista – Juliana Vila Nova (Buga) é artista visual urbana, pesquisadora, formada em Artes Visuais e mestra em Culturas Populares pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Sua trajetória de 14 anos transita entre o graffiti, a pintura, a instalação e o objeto, sempre tensionando as fronteiras entre a rua e a galeria, a prática e a teoria, o gesto e o conceito.
Sua produção investiga as relações entre memória, resistência e os vestígios que nos atravessam — com especial atenção ao apagamento feminino na história da arte, às narrativas de povos originários e à potência do que é deixado à margem.
A artista trabalha especialmente com preto e branco, explorando o contraste entre o que aparece e o que se esconde, o que é linha e o que é fundo, o que grita e o que silencia. É nesse jogo de luz e sombra que surgem os olhos, as frestas, as geometrias e os restos que compõem seu universo visual.

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