PT, PCdoB e PV, os partidos que integram a Federação Brasil Fé Esperança – Fé Brasil -, protocolaram na quarta-feira (22), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma representação eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, o seu irmão Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que está foragido nos Estados Unidos, e os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC) por terem feito um “movimento articulado de desinformação contra a integridade do sistema eletrônico de votação”. Os quatro políticos atuaram de forma coordenada para descontextualizar um documento dos Estados Unidos sobre as eleições venezuelanas e usá-lo para espalhar mentiras a respeito das urnas brasileiras.
A Federação solicita à Justiça Eleitoral a remoção imediata das redes sociais de todos os conteúdos falsos, que propagam inverdades sobre as urnas eletrônicas, difundidos pelos bolsonaristas, repetindo a mesma prática que o país assistiu no passado na campanha de Jair Bolsonaro.
A representação também requer ao TSE que Meta, X, Google, TikTok e Rumble adotem medidas para impedir a disseminação e o impulsionamento de conteúdos semelhantes. No julgamento definitivo do caso, a Federação pede multa de R$ 30 mil para cada um dos quatro representados.
Segundo os partidos, essa ação coordenada de desinformação dos quatro atores políticos afeta a credibilidade da Justiça Eleitoral. Atacar o sistema eletrônico de votação, de forma mentirosa, apontando “fraudes que nunca ocorreram”, é uma atitude com “repercussão nefasta na legitimidade do pleito, na estabilidade do Estado Democrático de Direito e na confiança dos eleitores nas urnas eletrônicas, utilizadas há 25 anos sem nenhuma prova de adulterações”, argumentam as legendas do campo progressista.
A razão do questionamento feito pela Federação foi o evento ocorrido no dia 21, em Brasília, do qual participaram dezenas de representantes diplomáticos estrangeiros, cujo ápice foi a fala do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL/RJ), que afirmou inverdades sobre as urnas eletrônicas, dizendo que a programação das urnas é feita por uma empresa venezuelana, o que é mentira e já foi desmentido pelo TSE em 2017 e reiterado em 2020.
O senador e pré-candidato à Presidência da República discursou perante representantes diplomáticos de aproximadamente 42 países e organizações internacionais, durante o evento “Debatendo o Brasil”.
“O representado utilizou o posto de pré-candidato à Presidência da República, o convite para discursar em evento repleto de representantes diplomáticos de outras nações, para mentir quanto ao sistema eleitoral brasileiro, conectando fato externo (relatório da CIA) às ilações que lhe serviram de justificativa para questionar a seriedade do sistema eleitoral brasileiro e deste Tribunal Superior Eleitoral”, aponta a representação.
A afirmação de Flávio, sustentam os partidos, é uma “fraude informacional reiteradamente desmentida pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral”.

