ENTREVISTA: Alessandro quer reforçar combate ao feminicídio no Congresso

O SENADOR ALESSANDRO VIEIRA

Delegado de polícia de carreira, Alessandro Vieira (MDB) surpreendeu ao ser eleito como o mais votado do estado nas eleições de 2018. Ele disse que foi eleito votando em Marina Silva, e não em Jair Bolsonaro (PL) como sempre atribuíram. Alessandro diz não se incomodar de ter sido excluído da chapa oficial ligada ao governador Fábio Mitidieri (PSD) em função das críticas ao ex-deputado André Moura (União). Caso seja reeleito, Alessandro promete intensificar ações no Congresso no combate ao feminicídio

Jornal do Dia – Em 2018, a sua vitória foi considerada uma surpresa. Qual a expectativa nestas eleições?
Delegado Alessandro: Em 18, aos sergipanos e sergipanas decidiram renovar sua representação no Senado e me deram uma oportunidade que procurei honrar todos os dias. Hoje, chego a esta eleição com uma trajetória muito mais conhecida, com resultados concretos e oito anos de experiência no Senado. Tenho muito orgulho do trabalho realizado e acredito que o eleitor vai avaliar principalmente aquilo que fizemos, aquilo que entregamos e a forma como exercemos o mandato. Minha candidatura é para continuar esse trabalho, com independência, coragem e compromisso com Sergipe.
JD – O senhor deixou de integrar a chapa do governador Fábio Mitidieri (PSD) em função de divergências com o candidato André Moura (União), mas continua apoiando a chapa. Isso criou dificuldades para a sua campanha?
Delegado Alessandro: Toda escolha política tem consequências, e eu sempre fui muito claro sobre isso. Eu faço política de forma diferente de André Moura, e isso diz respeito a princípios e à forma como entendo que a política deve ser feita. Por isso, sigo com minha candidatura de forma independente na disputa pelo Senado. Isso não muda minha relação com o governador Fábio Mitidieri, nem o reconhecimento pelo trabalho que temos feito em conjunto por Sergipe. O próprio governador já afirmou isso em diversas oportunidades, que eu sou o parlamentar que mais destina recursos para o Governo de Sergipe, o parlamentar que mais apoia projetos e programas que atendem diretamente os sergipanos, a exemplo do Opera Mulher, que foi realizado 100% com recursos destinados pelo mandato do senador Alessandro. Eu não acredito em política baseada em submissão ou em troca de favores. Meu compromisso é com Sergipe e com aquilo que considero correto, mesmo quando isso significa tomar decisões difíceis.
JD – Em 2018 o senhor tinha uma identificação maior com o bolsonarismo. Qual é a posição do senhor na disputa presidencial deste ano?
Delegado Alessandro: Meu trabalho sempre foi para combater a corrupção e o crime. Em 2018, eu fui eleito pedindo voto para Marina Silva. Nunca apoiei Bolsonaro ou subi no palanque dele. Já eleito, declarei voto pessoal em Bolsonaro, no segundo turno, porque, assim como muitos brasileiros, eu queria mudança, acreditava que bandeiras como o combate à corrupção e o fortalecimento das instituições de fiscalização e de combate ao crime seriam prioridades. Hoje, minha posição é muito clara: não quero que o Brasil fique preso à polarização entre dois grupos que transformaram a política em uma disputa permanente. Precisamos discutir segurança, saúde, educação, responsabilidade fiscal, combate à corrupção e crescimento econômico com seriedade. Defendo uma alternativa que seja capaz de superar essa polarização e colocar o interesse do país acima das disputas políticas.
JD – Como o senhor avalia a gestão da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa?
Delegado Alessandro: Uma cidade do tamanho e da importância de Aracaju precisa avançar principalmente em mobilidade, saúde, infraestrutura, limpeza urbana e qualidade dos serviços públicos. Minha postura sempre será de independência: vou reconhecer o que estiver funcionando e cobrar aquilo que precisar melhorar. O que importa é que Aracaju tenha uma gestão eficiente e que entregue resultados para quem vive na cidade. Eu, como senador sergipano, destino recursos e participo das ações para atender a população da melhor forma. A prefeita Emília Corrêa tem legitimidade para governar Aracaju e merece ter seu trabalho avaliado pela população. Vejo avanços em algumas áreas e também desafios importantes que ainda precisam ser enfrentados.
JD – Sergipe e o Brasil vêm registrando altos índices de casos de feminicídio. O que a sociedade pode fazer para reduzir esses números?
Delegado Alessandro: Como delegado de polícia, aprendi que prevenção, proteção e resposta rápida são fundamentais. Precisamos garantir que a mulher tenha acesso à rede de proteção, que as medidas protetivas sejam efetivamente fiscalizadas e que o agressor tenha certeza de que será responsabilizado. Tenho atuado no Senado para garantir isso. Como relator do Pacote Antifeminicídio, trabalhamos pelo endurecimento das penas para esse crime e pela criação de novos mecanismos de prevenção e proteção às mulheres. Também relatamos a proposta que busca tornar o feminicídio imprescritível, reforçando o compromisso de que esse tipo de violência jamais seja esquecido ou ignorado.
Mas a proteção da mulher não pode começar apenas depois da violência. É preciso criar condições para que ela tenha autonomia e consiga romper ciclos de violência. Por isso, meu mandato também tem investido em qualificação profissional, geração de renda e políticas que ampliem as oportunidades para as mulheres. Hoje sou considerado o parlamentar federal que mais investiu nas pautas das mulheres. Segurança, proteção, autonomia e oportunidade precisam caminhar juntas para que a mulher possa viver com liberdade e dignidade.
JD – Como delegado de polícia de carreira, o que a sociedade pode esperar nas ações no Congresso em defesa da segurança?
Delegado Alessandro: Segurança pública não pode ser apenas discurso em época de eleição. É preciso investir de forma concreta nas forças de segurança que estão na ponta, atendendo as ocorrências e atuando na prevenção do crime. Sou o parlamentar sergipano que mais destinou recursos para a segurança pública, foram mais de R$ 60 milhões para a segurança pública em Sergipe. São recursos que chegam aos batalhões, delegacias, guardas municipais e demais estruturas, melhorando viaturas, equipamentos, instalações e condições de trabalho. É um investimento estratégico, porque segurança se constrói em todo o território, não apenas nos grandes centros. Se existe uma marca que quero deixar nessa área é justamente essa: transformar o mandato em investimento real na capacidade do Estado de proteger os sergipanos e sergipanas. E vejo os resultados dessa política. Hoje Sergipe é considerado o estado mais seguro do Nordeste, porque investe de forma contínua em segurança pública, tecnologia, estrutura e valorização dos seus profissionais. Vamos continuar o trabalho firme para que a segurança pública seja priorizada.
JD – Se obtiver a reeleição, quais serão as prioridades do novo mandato?
Delegado Alessandro: Quero continuar fazendo aquilo que considero a obrigação de um senador: representar Sergipe com independência, fiscalizar o dinheiro público, destinar recursos para os 75 municípios sergipanos e trabalhar por leis que melhorem a vida das pessoas. Segurança pública continuará sendo uma prioridade, assim como saúde, educação, proteção de crianças e adolescentes, combate à corrupção e melhoria da qualidade dos serviços públicos. Também quero ampliar a capacidade de trazer investimentos para Sergipe, com transparência e acompanhamento da execução. O segundo mandato precisa ser ainda mais focado em resultado. Não tenho interesse em ocupar um cargo por ocupar. Minha profissão é delegado de polícia, e a política, para mim, é uma missão.
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