O delegado André David, candidato do Republicanos ao Senado Federal, entende que para conter esse aumento de feminicídios no Brasil, “o Estado precisa entender que a segurança da mulher não pode começar depois da agressão, ela tem que focar na prevenção e na antecipação. Não podemos aceitar que medidas protetivas sejam apenas papéis assinados”.
Ele disse já ter testemunhado casos de feminicídio, e considera que são os piores, porque, além de acabar com a vida de uma mulher, destrói toda uma família. “É a mãe que perde a filha, são os filhos que crescem sem a mãe, é uma comunidade inteira marcada por aquela dor”.
Confira a íntegra da entrevista ao Jornal do Dia:
Jornal do Dia – Caso eleito, quais serão as prioridades do seu mandato?
André David – Como prioridade do meu mandato, atuarei firmemente para garantir que Sergipe seja um estado seguro para viver e próspero para empreender. Unirei minha experiência técnica como delegado ao combate rigoroso ao crime organizado, ao combate firme ao feminicídio e à defesa intransigente das nossas crianças, com propostas concretas como o fornecimento de sensores de glicose no SUS para jovens com diabetes e regras muito mais rígidas para conter o avanço desenfreado das Bets. Além da segurança e da saúde, meu foco estará no fortalecimento do comércio local, no apoio aos micro e pequenos empreendedores e à agricultura, motores do desenvolvimento. Defendo a desburocratização do setor produtivo e facilidades de crédito para proteger quem gera emprego e renda, assegurando um mandato de ação, ordem e parceria com o cidadão de bem e com o trabalhador sergipano e brasileiro.
JD – O Brasil e o estado de Sergipe estão registrando cada vez mais casos de feminicídios. Como conter essa avalanche?
André David – Para conter esse aumento de feminicídios, o Estado precisa entender que a segurança da mulher não pode começar depois da agressão, ela tem que focar na prevenção e na antecipação. Não podemos aceitar que medidas protetivas sejam apenas papéis assinados. Precisamos de respostas rápidas, inteligência policial para mapear o risco real e uma integração efetiva entre as polícias e a rede de assistência social ao primeiro sinal de ameaça. Com minha experiência na segurança pública, defendo o monitoramento eletrônico rigoroso dos agressores com prisão imediata em caso de descumprimento, patrulhamento presencial e também o direito de a mulher se defender, com o porte de arma facilitado para quem cumpre os requisitos legais, a mulher ganha uma chance real de reação para proteger a própria vida diante de um agressor. Enfrentar a violência contra a mulher exige coragem política e operacional para dar condições de proteção e defesa antes que o pior aconteça.
JD – Como delegado de carreira, o senhor já atendeu casos relacionados a esse problema?
André David – Já testemunhei casos de feminicídio, e digo que são os piores, porque, além de acabar com a vida de uma mulher, destrói toda uma família. É a mãe que perde a filha, são os filhos que crescem sem a mãe, é uma comunidade inteira marcada por aquela dor. Por isso, quando falo em segurança pública, não falo de teoria. Falo de casos que vi de perto. É essa experiência que eu quero levar para o Senado: transformar dor em política pública que realmente proteja.
JD – Qual a punição que o acusado por um crime desses deve receber?
André David – A lei brasileira já classifica o feminicídio como crime hediondo, com pena que pode chegar a 30 anos de reclusão. E eu defendo que essa pena seja cumprida integralmente, sem benefícios que permitam saída antecipada para quem tirou a vida de uma mulher pelo simples fato de ela ser mulher. Mas não basta endurecer a pena depois que o crime já aconteceu. Como delegado, vi que o problema muitas vezes começa antes: medidas protetivas que não são fiscalizadas, agressores que descumprem a distância mínima e não são punidos a tempo, mulheres que denunciam e não são protegidas. Por isso, minha proposta tem duas frentes: primeiro, rigor total na punição – sem afrouxamento, sem impunidade; segundo, investimento em prevenção real, com monitoramento eletrônico eficiente, delegacias especializadas com estrutura, e resposta rápida assim que uma denúncia é registrada. Porque a punição importa, mas o que salva vidas é impedir que o crime aconteça.
JD – Qual a avaliação que o senhor faz da política de segurança do governo de Sergipe?
André David – A segurança de Sergipe tem muito o que melhorar. Os dados do Anuário Brasileiro acendem um alerta grave sobre a alta nos feminicídios e nos maus-tratos contra crianças. Além disso, enfrentamos desordem no dia a dia, como na questão dos flanelinhas, em que vimos a Guarda Municipal ser impedida de atuar para proteger o cidadão. O governo de Sergipe precisa avançar na valorização das forças policiais, a exemplo do concurso e da estruturação feita na Guarda Municipal em Aracaju. No Senado, atuarei firme para garantir investimentos, leis mais rígidas e inteligência, fazendo tudo o que estiver ao meu alcance para trazer a segurança de verdade que o povo sergipano precisa.
JD – O seu partido decidiu não apoiar nenhum candidato a presidente. O senhor já definiu o seu candidato?
André David – Sim. Vou votar em Flávio Bolsonaro.


