Os registros não seguem metodologias e nem cronologias. Eles são seletivos e livres de arranjos científicos
* Manoel Moacir Costa Macêdo
Continuidade dos registros da história da agricultura de Sergipe, publicados pelo engenheiro agrônomo José Belém de Carvalho, de família tradicional agrária sergipana, na obra “História da Agricultura em Sergipe 1860 – 1968”. Nasceu no município de Riachuelo, filho de José Antonino de Carvalho e Mariana Belém de Carvalho, tradicional família rural. Engenheiro agrônomo pela Centenária Escola Agrícola da Bahia, em Cruz das Almas, na década de quarenta.
Os registros não seguem metodologias e nem cronologias. Eles são seletivos e livres de arranjos científicos. Transcritos como fatos do passado e vinculações com o presente e o futuro. Alguns revelam curiosidades da agricultura dos Séculos XIX e XX e suas inserções sociais, econômicas e políticas.
1.1923. Os presos correcionais trabalhavam no Centro Agrícola Epitácio Pessoas “numa demonstração de utilidade dos mesmo como um ensinamento do valor do trabalho [,] fazendo assim desaparecer o vício e a maldade existentes nas pessoas que de nada se ocupavam” [a realidade prisional é secular -, na atualidade similar ressocialização tem sido efetuada na Embrapa Tabuleiros Costeiros];
2.1923. O povoado Colônia localizado “no Centro Agrícola com 47 casas, sendo 12 do centro, foi extinto por causa da vadiagem” [criminalização e preconceitos com as populações pobres e libertadas da escravidão];
3.1935. Assumia o corpo técnico do Serviço de Plantas Têxteis a agrônoma Grisalva Rodrigues Fernandes [referência a uma única agrônoma -, uma profissão marcada pela masculinidade];
4.1939. Sem dúvida, zelando pelo bom nome do serviço em constante contato com os agricultura, o chefe do Serviço de Plantas Têxteis por portaria “proibia os funcionários da classificação de algodão de frequentarem os Cassinos e Cabaret” [a moral, os bons costumes e a religião lastrearam a sociedade brasileira e nordestina -, histórica hipocrisia];
5.1941. “Senhor Presidente da República, autorizou construção Prédio Sede Serviços, Aracaju, acreditando eu, que neste exercício mesmo não possa ficar completamente pronto, sendo ultimado em 1942. Irei providenciar restante expediente concorrência distribuição crédito […] Nem ao menos foi iniciada a obra” [aditivos e concorrências fraudulentas de obras públicas estão inseridos na cultura corporativa brasileira de levar vantagem];
6.1942. “Na presença de representantes da Comissão Brasileira – Americana, Dr. Laurence e da Secção de Fomento Agrícola, Dr. Euler Coelho, foi beneficiado o 1º fardo de algodão na Usina João Maurício em Japoatã” [a interferência norte-americana no Brasil não é recente, ela vem de longe, principalmente nos produtos agrícolas de exportação, as atuais commodities].
Na próxima semana, continuaremos contando os registros da história da agricultura sergipana.
* Manoel Moacir Costa Macêdo é engenheiro agrônomo e advogado


