Milton Alves Júnior
O sargento da Polícia Militar Manoel Messias dos Santos foi afastado na manhã de ontem (9) de todas as respectivas atribuições funcionais devido o tumulto e risco de morte proporcionados na noite da última quinta-feira (8). Conforme revelado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), o caso foi registrado no município de São Cristóvão, região metropolitana de Aracaju, quando eleitores do presidente Lula se reuniram democraticamente em frente a Universidade Federal de Sergipe (UFS), com a finalidade de impulsionar a campanha pela reeleição do petista. O Governo de Sergipe informou ainda que a arma possivelmente utilizada para efetuar os disparos também foi apreendida.
Consta nos autos que a mobilização foi convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE/UFS) para promover o debate sobre políticas públicas estudantis, o cenário político-eleitoral brasileiro, a importância do voto da juventude e a participação democrática. Pelas redes sociais, acadêmicos que participaram da atividade afirmaram que pessoas ficaram feridas após serem pisoteadas ou se esbarrarem em grades na tentativa de evadir do local e se proteger dos tiros; parte do comércio também optou por fechar as portas. Em comunicado oficial, a administração estadual informou que profissionais da Superintendência da Polícia Civil estão mobilizados para apurar todos os fatos denunciados.
“A Secretaria da Segurança Pública informa que está apurando relatos de que um homem teria passado em um veículo, portando uma arma de fogo, em frente à Universidade Federal de Sergipe (UFS), em São Cristóvão, durante uma manifestação política. As informações foram comunicadas ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) e estão sendo verificadas pelas equipes policiais. A Polícia Civil também atua na apuração do caso, incluindo a coleta e análise de imagens da região, para esclarecer as circunstâncias do ocorrido”, publicou. A atitude adotada pelo sargento pode estar inserida em crime por atos antidemocráticos. O Art. 359-L da Constituição Federal indica que tentar abolir o Estado Democrático de Direito com violência ou grave ameaça prevê reclusão de 4 a 8 anos.
Pelo Diretório Central dos Estudantes foi destacado que o cenário político exige posicionamento, organização e mobilização popular. “O que está em jogo vai muito além de uma disputa eleitoral: estão em jogo o futuro das universidades públicas, os direitos conquistados pela classe trabalhadora, a democracia e a possibilidade de construir um país onde todos tenham o direito de viver com dignidade, sonhar e ter oportunidades. Não vamos retroceder! Reeleger o presidente Lula é uma tarefa fundamental para quem defende a educação pública, a justiça social, a soberania nacional e os direitos do povo brasileiro. Nossa missão é dialogar com nossos colegas, familiares, amigos e comunidades, mobilizando cada voto em defesa desse projeto de país”, comunicou.
Sobre o segundo turno das eleições, o acadêmico reforçou que é fundamental combater a abstenção e transformar a indignação em participação popular. “Seguiremos nas ruas, nas universidades e nas comunidades, construindo a mobilização necessária para defender a democracia e os direitos de quem mais precisa. Porque a luta estudantil também é a luta da classe trabalhadora por um presente digno e por um futuro com esperança. A liberdade de expressão é um direito constitucional e ninguém atingirá a ousadia da juventude em se posicionar”, completou o diretório.
Até o final da tarde de ontem, o sargento Manoel Messias dos Santos não havia se manifestado sobre a ocorrência.

