O Campus Itabaiana da Universidade Federal de Sergipe (UFS), localizado no Agreste do estado, reafirma seu pioneirismo na oferta de práticas de inclusão e educação acessível aos discentes. Para isso, o Setor de Acessibilidade da Biblioteca do Campus Prof. Alberto Carvalho (BICAMPI) passa por uma reestruturação estratégica ao se transformar na Divisão de Inclusão e Ações Afirmativas (DIAF)
Com o objetivo de ofertar aos alunos tecnologias assistivas e materiais táteis e multidisciplinares, a nova divisão é referência na ampliação de um ambiente mais inclusivo e diversificado. Segundo o diretor do Campus Itabaiana, Victor Sarmento, o setor surgiu da necessidade de acompanhar de maneira mais efetiva os alunos com necessidades específicas.
“Antes, contávamos com o apoio da Daim, de São Cristóvão, mas, por ser um campus fora de sede, a comunicação não era tão rápida. Por isso, nossa gestão passou a trabalhar para construir, no próprio campus, um setor com um olhar mais atento a esses estudantes. Hoje, temos um corpo técnico que consegue conhecer quem está ingressando, monitorar e acompanhar cada aluno, buscando atender às suas necessidades. O setor é fundamental porque são os olhos da direção para esses estudantes”.
“Acredito que os campi do interior, que precisam de um apoio mais próximo, devem seguir esse exemplo. O Campus de São Cristóvão é enorme e tem muitas demandas, por isso é necessário descentralizar. Quando cada campus tem um setor próprio, consegue acompanhar o aluno de forma mais individual, conhecer suas necessidades e levá-las à Reitoria, em diálogo, para buscar melhores condições. O objetivo é garantir que esses estudantes percorram toda a sua trajetória acadêmica com o menor número de barreiras possível”, completa.
Aprovado no concurso em 2014, o transcritor do Sistema Braille, Nilson Andrade dos Santos, decidiu montar um setor de acessibilidade no Campus Lagarto utilizando sua formação acadêmica como uma forma de auxiliar alunos com deficiência. Em 2018, com a criação do Setor de Acessibilidade da BICAMPI, Nilson passou a atuar no Agreste sergipano em uma estrutura voltada não apenas à acessibilidade, mas também a pautas de grupos minorizados, como questões raciais e de gênero.
Ele explica que, apesar do aspecto estrutural, pautas inclusivas e a modernização dos materiais ofertados ainda são pontos que precisam ser trabalhados no campus.. “No campus, oferecemos um suporte amplo às necessidades específicas dos alunos, com foco em Libras, materiais em alto-relevo e Braille, além de ações para a permanência deles na universidade. Os recursos de tecnologia assistiva são pensados para isso. É o caso dos alunos do curso de Sistemas de Informação com baixa visão ou cegueira e dos alunos de Administração, que contam com recursos nos laboratórios de informática para acessar as informações”, destaca.
Entre softwares como o NVDA, lupas e scanners que digitalizam os materiais e os tornam mais acessíveis a esses estudantes, a acessibilidade na UFS Itabaiana vai além do aspecto estrutural. Ela busca enfrentar as barreiras que os alunos encontram no acesso à informação e as barreiras atitudinais, que persistem não só na universidade, mas em toda a sociedade.
Atualmente, o Campus Itabaiana possui 32 alunos ativos com necessidades específicas, entre deficiências visuais, físicas e auditivas, além de transtornos de desenvolvimento. A partir do acompanhamento realizado por profissionais especializados, são realizadas dinâmicas de oficinas de arte tátil e disponibilizadas máquinas para produção em alto-relevo, além de o setor contar com o apoio de parcerias externas do Instituto Benjamin Constant e da Fundação Dorina Nowill, que cedem e ofertam materiais didáticos direcionados a cada demanda.

