"A advocacia sergipana está carente de uma Ordem forte"

A partir das 10 horas desta sexta-feira, cerca de seis mil advogados sergipanos aptos ao voto devem se dirigir às urnas para escolher a futura Diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Sergipe. Na disputa, três nomes: Henri Clay Andrade, Roseline Morais e Emanuel Cacho.  
 Em 30 dias de campanha, e em pelo menos mais 90 de pré-campanha, eles mobilizaram muito bem a advocacia em torno de ideias, propostas e, como não poderia de ser em situações como estas, muitas divergências. Poucos advogados ficaram omissos ao processo.
 A maior parte tomou gosto pela disputa e veio para o centro dos debates com gosto, força e precisão. Entre os que agiram assim, o advogado Aurélio Belém do Espírito Santo teve um lugar de destaque. Atuando no mesmo grupo de Henri Clay Andrade, ele se manifestou um grande articulador desde que liderou com o Inácio Krauss a dissidência em relação à atual gestão da OAB via o Movimento pela Ordem.

 Aurélio Belém marchará para as urnas hoje achando que a campanha foi bem-feita, que passou o recado que cabia a todos os advogados, lamentando os momentos de perda de compostura pelos antagonistas, mas convencido de que Henri Clay representa o melhor projeto, e de que vai ganhar.
 "A história do próprio Henri Clay fala por ele: é a de um advogado que dedicou sua vida e sua profissão a defender a sociedade e a entidade que ele tanto ama. Cremos que didaticamente Henri Clay não deixou nada sem resposta (nesta campanha) dentro daquilo que poderemos fazer em favor da advocacia no próximo triênio", diz. Veja a entrevista concedida por ele ao Jornal do Dia.

O que o que o senhor espera da eleição hoje para a Presidência da OAB/SE?
Aurélio Belém do Espírito Santo – Realizamos uma das mais ativas e badaladas campanhas eleitorais da história da OAB/SE. As propostas de cada candidato já foram apresentadas, hoje é o dia da grande reflexão e esperamos que cada advogado, consciente do seu dever cívico, democrático e institucional dê o seu voto com coerência, porque uma das virtudes dessa campanha foi a demostrar o quanto a advocacia sergipana está carente de uma Ordem forte, que defenda sem melindres os advogados e proteja sem burocracia a sociedade.
 Por que o senhor acha que Henri Clay, entre os três, estaria melhor preparado para fazer este resgate?
ABES – Não é uma questão subjetiva de achar isso ou aquilo. A história do próprio Henri Clay fala por ele. O modo como a campanha foi construída diz um tanto mais ainda. Mas, enfim, qual a história dele? É a de um advogado que dedicou sua vida e sua profissão a defender a sociedade e a entidade que ele tanto ama. As propostas que compõe a Chapa 02 são coletivas. Foram concebidas a partir de inúmeras plenárias abertas e participativas do Movimento 11 de Agosto.
 E essas propostas contemplam ao senhor?
ABES – Sem dúvida. Contemplam não só a mim, bem como a toda a advocacia sergipana que se encontra órfã de sua entidade mãe. Numa tradução simples, elas atendem diretamente a dois aspectos que nos interessam de imediato, que são os resgates da defesa intransigentes das prerrogativas dos advogados e daquilo que chamamos de protagonismo social da Ordem. Desses eixos nasceu o nosso plano de gestão que contempla a advocacia jovem, as mulheres na OAB, o advogado do interior, o advogado dativo, o colega mais experiente, o piso salarial, a dignidade dos honorários advocatícios, com atenção especial ao combate do aviltamento dos chamados pautistas e correspondentes. Enfim, é um plano completo.
 
O senhor acha que houve tempo suficiente para que os advogados conhecessem essas propostas?
ABES – Estou certo de que sim. Nessa campanha, contamos com uma ferramenta nova, as redes sociais. Tivemos boa divulgação nas demais mídias. Também foram importantes e esclarecedores os debates no rádio e na TV. Mas me parece que o que mais contou foi o corpo a corpo com os colegas da capital e do interior. As visitas aos escritórios, e os diversos eventos realizados. Em cada ocasião dessa, podemos perceber o acolhimento vibrante das nossas ideias e propostas. Cremos que didaticamente Henri Clay não deixou nada sem resposta dentro daquilo que poderemos fazer em favor da advocacia no próximo triênio.   
 
 De todos os atos falhos da atual gestão da OAB, teria um que mais que lhe chamasse a atenção?
ABES – Creio que o abandono da defesa dos advogados seja aquele mais marcante entre todos. Percebi nessa gestão uma timidez inaceitável quando se tratou de defesa dos colegas aviltados por autoridades. Um exemplo grandioso vem do episódio que envolveu o professor Evaldo Campos. Ele foi ofendido em suas prerrogativas, até processado criminalmente, pediu o apoio institucional da OAB, mas esta só o fez, um ano após, e quando a questão ganhou conhecimento e apelo públicos. Tive a honra de encampar a sua defesa desde o início, juntamente com Henri Clay. Penso que esse seja um dos exemplos mais eloquentes da orfandade em que vivemos.
 
O senhor achou que a campanha em determinado momento saiu do eixo e criou um clima desagradável?
ABES – Infelizmente, sim. E aproveito aqui para manifestar meu desapreço por alguns expedientes utilizados pelos colegas adversários nessa campanha, a exemplo de vídeos de mal gosto, boatos infundados e difamatórios, mentiras imediatamente desfeitas e outras que perduraram um pouco mais, ataques à honra e à história de colegas, e a tentativa de destruição de boas biografias. Em muitos momentos, faltou o respeito aos advogados. E quero aqui louvar a decência do nosso grupo, que foi propositivo sempre e não caiu nas provocações levianas de adversários que ainda não compreenderam a magnitude da nossa instituição. Somos colegas, e permaneceremos assim. Mas creio que tudo é passado e o que importa hoje é o voto coerente. Estou certo de que o vencedor será o presidente de todos – e tenho plena convicção de que este será Henri Clay.
 
O senhor foi considerado no grupo da Chapa 02 como um advogado muito ativo nessa campanha, e disputa a Secretária-Geral. O senhor acha que sua atuação foi suficiente e o que esperar de sua ação num eventual mandato como secretário-geral?
ABES – Procurei dar de mim o meu melhor. Muito antes mesmo da composição da Chapa 02, já concebíamos com bravos companheiros o Movimento pela Ordem, que fazíamos oposição à atual direção da OAB/SE. A minha dedicação a esse projeto coletivo foi a máxima possível. Acredito que se mais não fiz foi em decorrência das minhas limitações de tempo, pois minha energia naturalmente teve que ser compartilhada com as atividades profissionais em nosso escritório. Em relação a minha eventual função como diretor da Ordem, não tenho dúvida de que faremos uma gestão participativa, coletiva, transparente, corajosa e em sintonia com tudo aquilo que propusemos nessa campanha. Não tenho dúvidas de que, caso eleita, a nossa futura gestão honrará todos os compromissos assumidos, pois além do nosso líder Henri Clay, temos 79 outras pessoas qualificadas e comprometidas com o resgate. Creio ser apenas mais um soldado nesse grande e forte exército da Chapa 02. E aqui deixo o meu compromisso de empregar o meu tempo e dedicação para colaborar com Henri Clay no que for preciso para o resgate da dignidade da advocacia sergipana.
 
A campanha encerrou ontem. Se tivesse de fazê-la novamente, o senhor mudaria algo?
ABES – Não. Como disse, todos nós fizemos o nosso melhor. Cada um deu aquilo que estava ao seu alcance. Foi bonito ver a empolgação, a alegria, os sorrisos e o brilho nos olhos dos colegas, esperançosos por dias melhores. A união das oposições certamente foi o acontecimento que, sem dúvida, eu reeditaria nesta campanha. Obviamente, se pudesse, retiraria apenas os excessos e as ofensas de alguns colegas adversários. Mas espero ver, logo a partir de hoje, e não somente em janeiro de 2016, o advogado com sua autoestima restaurada, de cabeça erguida e ciente de que a OAB é o seu escudo e sua máxima protetora.

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