Em Como surgiu o primeiro Griot, publicação da Cortez Editora, o escritor Rogério Andrade Barbosa convida o leitor a conhecer a lendária origem desses guardiões da memória, figuras essenciais na tradição oral africana. Referência na literatura infantojuvenil e profundo estudioso das narrativas do continente, o autor reconstrói, com sensibilidade, a força simbólica desses mensageiros por meio de uma história rica em significado.
A trama acompanha dois irmãos do Mali, nascidos na histórica Tombuctu, que atravessam o deserto do Saara em uma jornada marcada por fome, sede e os desafios impostos pela natureza. Após sobreviverem a uma terrível tempestade de areia, encontram abrigo em um oásis – cenário que transforma seu destino e revela a origem mítica do primeiro griot.
Narrada por um veterano contador de histórias, a obra evidencia a importância social e espiritual dos griots, responsáveis por preservar a memória coletiva, valorizar a ancestralidade e fortalecer laços comunitários. Ao unir passado, presente e futuro, eles surgem como ponte entre gerações e protetores de saberes que resistem ao tempo.
Os irmãos, assim que a tormenta amainou, descobriram que estavam mais perdidos do que nunca. Por mais que procurassem, embora se orientassem pela posição do sol ou das estrelas, não encontravam uma pegada sequer das caravanas de dromedários que cruzavam constantemente a aridez do Saara carregadas de sal, ouro e marfim. (Como surgiu o primeiro Griot, p. 14)
O texto de Barbosa ganha ainda mais potência com as ilustrações de Rogério Borges, artista premiado, cuja trajetória inclui trabalhos para importantes editoras, mostras internacionais e reconhecimentos como o Prêmio Jabuti e o selo Altamente Recomendável da FNLIJ. Suas imagens ampliam a atmosfera mítica e emotiva que envolve o relato.
Com a união de dois criadores consagrados – Barbosa, vencedor do prêmio da Academia Brasileira de Letras, e Borges, com carreira destacada no Brasil e no exterior – Como surgiu o primeiro Griot torna-se uma homenagem à arte de contar histórias e à força da oralidade africana. É um chamado para leitores de todas as idades se conectarem com narrativas que atravessam gerações.


