Milton Alves
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Comunidades católicas, líderes sindicais e mo-vimentos sociais se reuniram na manhã de ontem em Aracaju para debater e aperfeiçoar o ato conjunto que será realizado no próximo dia 07 de setembro durante a 21ª edição do Grito dos Excluídos. Com o lema ‘A Vida em Primeiro Lugar’ os grupos devem iniciar o desfile na avenida Barão de Maruim por volta das 11h30 e contar com mais de cinco mil pessoas oriundas de todos os 75 municípios sergipanos. Paralelo ao pedido de valorização à vida, a classe trabalhadora aproveitará a oportunidade para pressionar os governantes quanto aos pleitos sindicais, além de exigir avanços na reforma agrária, e defender o fortalecimento da democracia nacional, inclusive, com apoio popular à presidente Dilma Rousseff.
Reunidos na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, os populares puderam expandir o diálogo sobre a atual conjuntura brasileira e estudar a forma como a mídia nacional contribui para induz a milhares de brasileiros a adotar medidas revolucionárias muitas vezes sem, sequer, obter coesão ideológica para tal atitude. Entre os temas mais discutidos estava a forma como gestores públicos de todas as esferas administrativas estão lidando com a classe trabalhadora e se envolvendo cada vez mais em atos corruptos na qual o dinheiro do contribuinte brasileiro é sempre o principal alvo. Tradicional em todo o país, o Grito dos Excluídos 2015 no Estado de Sergipe vai reforçar a necessidade de abranger a democracia, inclusive no poder judiciário.
Na avaliação do padre Cláudio Dionizio Rocha Santos, coordenador geral da marcha e representante das pastorais sergipanas, este ano o debate sobre o ‘Grito’ começou mais cedo a fim de aprofundar mais metodologicamente em cada tema a ser exposto na avenida. Padre Cláudio mostrou-se mais uma vez satisfeito em estar recepcionando os grupos na paróquia instalada no bairro Grageru. "Essa vigésima primeira edição nasce no seio da igreja e isso mostra a nossa preocupação em estarmos inseridos no mundo e refletir a nossa realidade. A novidade é que este ano estamos aprofundando e preparando o Grito para análise de conjuntura pra depois dessa leitura de realidade a nível nacional e estadual a gente propor a discussão encima do tema e lema", afirmou.
Durante o "Pré-Grito – Encontro de Movimentos Sociais de Sergipe" que contou com a participação de aproximadamente 80 pessoas, marcaram presença também representações estudantis e de juventude e coletivos de direitos humanos que completaram a pauta de diálogos com temas direcionados à democratização dos meios de comunicação, extermínio da juventude, redução da idade penal, diálogo inter-religioso, políticas sociais e articulação entre movimentos populares. Presente no encontro, Gileno Damascena, membro da direção estadual do Movimento dos Sem Terra (MST), destacou a necessidade de a cada nova edição do Grito dos Excluídos antecipar os debates. Diante desta postura, o militante social acredita que mais populares passam a valorizar e integrar o movimento que luta por melhorias coletivas.
"Vinte e um anos de grito dos excluídos, e temos muito a comemorar avanços conquistados a cada edição, mas não podemos esquecer que o Brasil ainda é um país muito desigual. A disputa por poder depois de um processo eleitoral mostra que parte do grupo derrotado nas urnas fala-se muito de atos corruptos por parte do Governo Federal, mas esquecem de situações semelhantes ocorridas nos municípios, nos estados e em poderes legislativos. Precisamos valorizar a democracia e avançar nos diálogos quanto às possibilidades de combater irregularidades que só fazem estancar o progresso da nossa nação", disse. Sobre a presença do MST na marcha, Gileno concluiu dizendo: "Marcaremos presença porque acreditamos em um futuro melhor para todos. Avanços começam em atos como este Grito dos Excluídos".
Sindicatos – De acordo com Roberto Silva, membro da Central Única dos Trabalhadores, em Sergipe, a luta da classe trabalhadora e sindical nas ruas começou a se intensificar no início deste ano quando grupos populares deram início a um processo de pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo o líder sindical, é preciso que os trabalhadores voltem a ocupar a Barão de Maruim no próximo desfile civil para poder cobrar dos governantes promessas realizadas durante as últimas campanhas políticas, mas também para defender a democracia brasileira que foi conquistada com a força do povo em 1985 depois de longo período de Ditadura Militar no país.
"Não estamos nos reunindo com frequência para defender partido ‘A’ ou partido ‘B’; político ‘A’ ou político ‘B’; estamos unidos em prol da democracia, da manutenção do governo Dilma, mas também para orientá-la para atender nossas pautas. o Grito dos Excluídos será composto também por 30 sindicatos e vamos reforçar nossa missão que é defender o nosso país dos gestores corruptos. Depois de conquistar a democracia popular, agora batalhamos para melhorar a vida dos trabalhadores dentro de um país com mais ordem e progresso", destacou. A concentração do Grito dos Excluídos 2015 está prevista para ocorrer a partir das 9h30 na Praça Fausto Cardoso, centro de Aracaju.


