Ação contra o tráfico de drogas em Dores tem um morto e três presos

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Cerca de 50 policiais ci-vis participaram da ‘Operação Os Intocáveis’, que resultou na prisão do homem apontado como o principal traficante de drogas da cidade de Nossa Senhora das Dores (Sertão). Emílio Garção de Jesus, o ‘Binha’, 30 anos, foi detido no começo da noite desta segunda-feira em Siriri (Vale do Cotinguiba), numa primeira fase de buscas, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva. Na outra fase, deflagrada ao começo da manhã de ontem em Dores, outras duas pessoas foram presas: Elenilton dos Santos Souza, o ‘Fifiu’, 43; e Jose Cláudia Ramiro, 35.  Um quarto acusado, Cleoni Correia dos Santos, o ‘Aleijado’, 28, reagiu à abordagem dos policiais, provocou um tiroteio e morreu atingido por vários tiros.
Os acusados foram investigados durante quatro meses pela Delegacia Regional de Dores e pelo Departamento de Narcóticos (Denarc), a partir de denúncias sobre a venda de cocaína a usuários da cidade. De acordo com as investigações, ‘Binha’ era o único fornecedor da droga. "’Binha’ é uma pessoa que transitava muito bem na sociedade de Dores. Ele trabalhava só com cocaína, que é um tipo de droga mais caro, e sempre aparecia com carros novos, motos, cavalos, jet-ski, som… mas não tinha emprego fixo. Isso dava muito a transparecer [sua ligação com o tráfico] e a sociedade de Dores cobrava muito uma atuação da Polícia Civil em relação a este cidadão", disse o delegado regional Fábio Santana.  
Emílio estava a caminho de Dores, onde morava, e foi detido pelo Denarc em um posto de gasolina na saída de Siriri. Em seguida, elas fizeram buscas na casa do acusado, onde encontraram e apreenderam sete trouxas de maconha, 73 pinos com cocaína, 500 gramas de cocaína, 24 caixas de sulfato de magnésio (material utilizado para misturar na cocaína), uma balança de precisão, R$ 6 mil em dinheiro e R$ 18.650 em cheques. Um carro VW Saveiro também foi apreendido.
A quantidade de dinheiro encontrada chamou muito a atenção dos policiais, que já desconfiavam do status apresentado pelo acusado. "Ele era tido como ‘playboy do tráfico’ em Dores, porque vendia para pessoas de alto poder aquisitivo. Muitas pessoas externas à região nem imaginavam que ele lidava com droga, porque ele negociava com cavalos, com carros, e, de forma embutida nessas negociações, também fazia o tráfico", destacou a delegada Nalile de Castro, do Denarc.
Ainda de acordo com ela, a polícia suspeita que o dinheiro e os bens apreendidos podem estar relacionado com as drogas, o que será apurado durante a próxima fase das investigações. "Esses bens, de certa forma, se comunicam. E a [venda de] droga é [produz] um dinheiro mais fácil, mais rápido e mais rentável. Então, uma coisa contribui para a outra, mas só a investigação é que vai nos dar essa confirmação", disse Nalile, sem confirmar a existência de outros bens ligados a ‘Binha’. A polícia avalia se pede o bloqueio judicial destes bens, caso fique confirmado que eles foram comprados com o lucro da venda de cocaína.  

Segunda fase – As buscas de ontem contaram com mais agentes da Regional de Dores e outras quatro delegacias do interior, do Denarc, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb), além de soldados e cães farejadores do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq). Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, além da ordem de prisão preventiva contra ‘Binha’.
Eles estiveram na casa dos outros suspeitos ligados a Emílio. Santana informou que um deles, Cleoni, estava armado com um revólver calibre 38 e provocou o confronto com a equipe do Cope que entrou em sua residência. "No momento que a equipe deu voz de prisão a ele, ele efetuou disparos, e a equipe teve que usar da força necessária para conter a agressão. Talvez ele tivesse muitos desafetos e pode até ter, infelizmente, confundido a polícia com esses inimigos", declarou o delegado, confirmando que ‘Aleijado’ já era investigado como suspeito de alguns assaltos recentes ocorridos na cidade.
Já na casa de Elenilton ‘Fifio’, foram recolhidos outros dois revólveres e 27 munições, que a polícia acredita terem sido usados nas atividades cotidianas da quadrilha. "As investigações apontaram "Fifio" como braço armado do grupo e que emprestava o armamento para que outras pessoas pudessem cometer crimes na localidade, no cumprimento do mandado de apreensão foi encontrada a arma. A Cláudia é companheira de um ex-presidiário, alvo das investigações, mas ele estava ausente e ela assumiu a propriedade da arma", comenta Fábio. Ainda segundo ele, Cláudia foi autuada em flagrante por porte ilegal de arma, pagou uma fiança de R$ 7.500 e responderá ao processo em liberdade. 

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