A polícia sergipana admite o crescimento da ação de quadrilhas de assaltantes contra agências bancárias do interior, que chegam a arrombar e até explodir as próprias unidades para levar grandes quantias em dinheiro. Os últimos casos registrados no estado aumentaram a atenção e a ação da polícia contra esses grupos, resultando em algumas prisões ocorridas nos últimos dois meses. O assunto foi discutido em um encontro recente do secretário de Segurança Pública, João Eloy de Menezes, com a superintendente do Banco do Brasil em Sergipe, Lúcia Helena Cuevas.
Na ocasião, Cuevas fez elogios à prisão da quadrilha de assaltantes pernambucanos que roubou, em 2 de outubro, R$ 800 mil da agência do banco federal no conjunto Augusto Franco (zona sul de Aracaju). "Assim que ocorreu este assalto comentei com os colegas: mas me falaram que aqui é tão tranquilo. Todos, sem exceção, comentaram que o caso seria elucidado rapidamente e que os criminosos seriam presos. E foi isso mesmo o que aconteceu", disse a superintendente.
O diretor do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), delegado Flávio Albuquerque, confirmou que o momento atual é conturbado para os trabalhadores de instituições bancárias do Nordeste. Ele explicou que este tipo de crime tem crescido forte na região, especialmente na Bahia e Alagoas. "No Nordeste tem havido um avanço nas ocorrências de assalto a banco com quadrilhas organizadas. Por conta desse aumento geral, SE também passou a ter uma incidência maior desse crime, mas este pequeno aumento no Estado deve-se à proximidade com a Bahia, Alagoas e Pernambuco, onde houve um grande aumento desses crimes".
O diretor do Cope disse que somente o Estado da Bahia aparece nas estatísticas com um assalto por dia nos últimos meses, enquanto Sergipe aparece, em média, com menos de um por mês. "Temos conseguido reprimir e prevenir este tipo de crime, a prova é que uma quadrilha procurada em todo o Nordeste, especializada em assalto a banco, foi desarticulada pela polícia sergipana", garante o delegado, acrescentando que "as ações da polícia sergipana estão integradas a fim de que a população e os trabalhadores do sistema financeiro continue tendo esta sensação de segurança".
Fatores – Acostumado com ocorrências de grande vulto, o diretor do Cope não tem dúvidas que os principais motivos para o aumento de roubos a banco no Nordeste estão ligados a dois fatores. "O primeiro é a disseminação do conhecimento entre os organismos criminosos do país, de forma que não são apenas de pessoas com origem no Sudeste do Brasil que realizam este tipo de ação. O segundo, e o mais decisivo, é a fragilidade na segurança das instituições bancárias", pontuou.
Segundo Albuquerque, a melhor maneira de resolver o problema é investir na segurança das agências, como está sendo feito pelo Banco do Estado de Sergipe, que passou a colocar portas giratórias e outros mecanismos de segurança em todas as agências. "Cabe a Polícia Federal, como órgão executor do Ministério da Justiça, fiscalizar e inclusive aplicar penalidades como foi feito no Estado da Bahia, onde foi aplicado mais de R$ 1,5 milhão em multas para agências bancárias que descumprem o que preceitua a legislação federal sobre o tema. (da SSP)


