Acidente aéreo mata Pedrinho Valadares e Eduardo Campos

Carolina Gonçalves
Agência Brasil

O candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, 49 anos, morreu ontem em um acidente aéreo, em Santos. A aeronave caiu por volta das 10h. De acordo com o Comando da Aeronáutica, o Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao Aeroporto de Guarujá (SP). O avião estava com o certificado de aeronavegabilidade e a inspeção anual de manutenção em dia. Quando se preparava para pouso, a aeronave arremeteu devido ao mau tempo. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com o avião.

Marina Silva, vice na chapa de Eduardo Campos, não estava no avião.
Pernambucano, o candidato era neto de Miguel Arraes, que governou o estado três vezes e, coincidentemente, faleceu há nove anos, também no dia 13 de agosto. Eduardo Campos era filho de Maximiliano Arraes e da ex-deputada federal e ministra do Tribunal de Contas da União Ana Arraes. Duas vezes governador de Pernambuco, ele também foi deputado estadual, três vezes deputado federal, secretário estadual de Governo e de Fazenda e ministro no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Formado em economia na Universidade Federal de Pernambuco, Campos concorria pela primeira vez ao cargo mais importante da política brasileira.
Na terça (12), Campos cumpriu agenda de campanha no Rio de Janeiro de onde decolou ontem pela manhã para São Paulo. Ele teria agenda em Santos, no litoral do estado. Estava prevista entrevista coletiva na Praia do Mercado, às 10h30, e depois participaria de um seminário. No final da tarde, daria nova entrevista em São Paulo.

Indicação de substituto – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu que, em caso de morte de candidato, os partidos têm prazo de dez dias para fazer substituição. Com a morte do candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB), a coligação Unidos para o Brasil pode escolher a candidata a vice, Marina Silva, para substituí-lo.

Em caso de morte do candidato que for de coligação, a lei eleitoral dá preferência à substituição por outro do mesmo partido, neste caso, o PSB, e orienta para que a mudança seja definida por maioria absoluta dos partidos coligados. A legislação também diz que é obrigação do partido dar ampla divulgação à troca de nomes e esclarecer o eleitorado sobre as mudanças da coligação.
Integram a coligação Unidos para o Brasil PSB, Rede Sustentabilidade, PPS, PPL, PRP e PHS.

Políticos lamentam morte de Campos e Pedrinho Valadares

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A morte do presidenciável Eduardo Campos (PSB) ocorrida ontem, 13, após acidente aéreo na cidade de Santos (SP) abalou o cenário político brasileiro. Ele tinha 49 anos, completados no último domingo, 10. Ao concluir a agenda de campanha no Rio de Janeiro, o pernambucano, acompanhado de quatro assessores pegou um voo fretado até São Paulo, onde na tarde de ontem iria se reunir com a candidata a vice-presidente, Marina Silva, para gravar parte dos programas eleitorais.

Conforme lista oficial emitida pela base central da Aeronáutica Brasileira, entre as vítimas estava também o ex-deputado federal Pedrinho Valadares, de 48 anos. Nascido no município sergipano de Simão Dias, advogado, era assessor de Eduardo Campos desde 2011, quando decidiu mudar-se para Recife. Por Sergipe, Pedrinho foi deputado federal em três mandatos oficiais e duas suplências, sendo eles entre 1991-1995; 2008-2008; e 2010-2011 pelo extinto Partido da Frente Liberal (PFL); entre 1995-1999 pelo Partido Progressista (PP); e entre 1999-2003 pelo PSB. Atualmente o sergipano era um dos coordenadores da campanha nacional de Campos e acompanhava o presidenciável em quase todas as visitas.

Durante a tarde de ontem familiares de Pedrinho Valadares estiveram reunidos em Aracaju para definir os detalhes do sepultamento. Entre os presentes estava Laura Valadares, mãe da vítima, e irmã do senador Antônio Carlos Valadares. Mario Marroquin, cunhado de Pedrinho, e o irmão da vítima foram a São Paulo para identificar o corpo. As causas do acidente ainda não tem data prevista para divulgação. O recolhimento dos corpos segue até a tarde de hoje quando devem ser encaminhados para perícia técnica no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo.

A família decidiu que o ex-deputado federal será enterrado em Simão Dias, sua terra natal, em data ainda a ser confirmada.
No Estado de Sergipe, após a confirmação da morte de Eduardo Campos e Pedrinho Valadares, líderes políticos e administradores públicos lamentaram a fatalidade através de notas oficiais.

Luto oficial – O governador Jackson Barreto de Lima, candidato a reeleição, decretou três dias de luto oficial. Ele assinou decretos separados, homenageando Campos e Pedrinho.
"Eduardo Campos era um jovem talento da política brasileira com uma trajetória marcada pela competência e pelo compromisso da busca de um país melhor e mais justo, honrando a memória do seu avô, o ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes. O ex-governador Eduardo Campos deixa um legado a ser seguido pelos políticos brasileiros e pelas futuras gerações que buscam na política um instrumento de fortalecimento da democracia, da cidadania e de uma sociedade mais justa e igualitária. Que Deus possa dar o conforto necessário aos familiares e amigos de Eduardo Campos, seus assessores e de Pedrinho Valadares", publicou o governador.

Na tarde de ontem a Prefeitura de Aracaju decretou luto oficial no município até o próximo sábado, 16. O prefeito João Alves Filho enalteceu a importância de Pedrinho para o Estado de Sergipe, e de Eduardo Campos para o Nordeste brasileiro. "O falecimento do candidato Eduardo Campos e do assessor Pedro Valadares Neto consternou a todos os brasileiros, principalmente a nós sergipanos que perdemos uma figura política importante. Pedrinho Valadares foi uma pessoa política de grande importância e influência em todo o Estado de Sergipe. Eduardo Campos era uma das maiores revelações políticas do Brasil nas últimas décadas. Um dos maiores homens públicos do país, fez uma transformação impressionante em seu Estado", publicou.

Compartilhe esta notícia