Gabriel Damásio
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Uma perseguição a dois motoqueiros em ati-tude suspeita terminou em tragédia para a Polícia Militar neste domingo. O soldado Alisson Santos Bonfim, 32 anos, lotado no Grupamento Especial Tático de Ações com Motos (Getam), morreu em um acidente ocorrido na Avenida Visconde de Maracaju, no Santos Dumont (zona norte da capital), quase em frente à 3ª Delegacia Metropolitana (3ª DM). O militar estava de serviço com sua equipe às 15h30 de anteontem e, segundo a PM, perdeu o controle da moto que dirigia e bateu no meio-fio da avenida, sendo atirado com força contra uma árvore. Alisson chegou a ser socorrido e internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), mas faleceu às 18h, com quadro de hemorragia interna e graves fraturas na cabeça e no tórax.
De acordo com o porta-voz da corporação, tenente-coronel Paulo César Paiva, a equipe do soldado fazia uma patrulha na região da zona norte quando decidiu seguir os dois homens que conduziam uma moto Lander vermelha e fugiram ao ver os policiais. "O Alisson estava desembarcado quando os dois homens não identificados passaram por ele em atitude suspeita. Como eles se evadiram ao perceber a presença da polícia, os policiais do Getam embarcaram em suas motos e iniciaram uma perseguição. Esse foi o motivo: tentar fazer uma abordagem, porque provavelmente se tratavam de pessoas armadas e mal intencionadas, que sequer foram abordadas em função desta fatalidade", disse o oficial.
Na avaliação de PM, o acidente pode ter sido causado pela alta velocidade empregada tanto pela moto dos suspeitos quanto as conduzidas pelo Getam. A causa é aliada à condição da pista da Visconde de Maracaju, que apesar de conservada, é cheia de ladeiras e curvas muito fechadas. "O Alisson, em meio à perseguição, precisou acionar os freios [da moto] em alta velocidade, e em função disso perdeu o controle da motocicleta. Uma prova da velocidade em que ele vinha é que foi deixada uma marca de frenagem de 47 metros na faixa esquerda [da pista]. Em seguida, ele se chocou contra a guia do canteiro central", confirmou Paiva. Já a distância entre a árvore e a moto do soldado na hora do choque foi de 25 metros. A velocidade alcançada, no entanto, será constatada através de um laudo pericial do Instituto de Criminalística.
Um segundo soldado, de prenome Oliveira Júnior, que acompanhava Alisson na garupa da moto, caiu no próprio canteiro e saiu ferido no acidente, com fraturas em um braço e duas costelas. Ele foi internado e medicado no Huse, passou por exames, recebeu alta e não corre risco de morte. Os dois suspeitos perseguidos conseguiram escapar, pois os outros policiais pararam imediatamente para pedir socorro ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e tentar reanimar Alisson, que chegou a sofrer quatro paradas cardíacas após o acidente.
Comoção – O soldado do Getam era casado e pai de dois filhos, incluindo uma menina que nasceu há apenas 15 dias. O dia do acidente também era o primeiro de trabalho após o cumprimento de sua licença paternidade. A tragédia causou comoção entre os colegas da PM e também de outros órgãos que possuem unidades com motos, como Samu, SMTT (Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito), PRF (Polícia Rodoviária Federal), Energisa, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil. Eles acompanharam todos os funerais desde a noite de domingo.
Muitos amigos eram da SMTT, onde Alisson trabalhou por mais de um ano, até ser aprovado no concurso da PM e convocado pela corporação em meados de 2014. "Lá [na SMTT] ele só fez boas amizades. Era um cara brincalhão, descontraído, gostava de trabalhar, gostava de ajudar. Alisson não era só um companheiro, era um parceiro, amigo de farda, que fazia daquilo sua profissão. Ele queria ser policial, chamou os amigos para fazer o concurso também, mas alguns não foram porque não puderam passar. O Alisson, apesar de fazer quatro barras [repetições de flexão] durante todo o seu treinamento, ele fez brilhantemente as sete barras no dia da prova. E todos estávamos lá para aplaudir", lembra, abalado, o agente de trânsito e amigo pessoal Franklin França.
No meio da tarde de ontem, o cortejo seguiu para o Cemitério Santa Isabel, também no Centro, com cerca de 30 motos do Getam, motociclistas dos outros órgãos e um carro dos Bombeiros que levava o caixão do soldado, coberto com uma bandeira do Getam e outra do Flamengo, time de futebol pelo qual ele torcia. O momento de maior emoção aconteceu na porta do cemitério, quando honras militares foram prestadas pelo Comando e pelos colegas do Getam. Os militares perfilaram as motos nos dois lados, prestaram continência e depois formaram uma roda em volta do caixão e rezaram em voz alta. Outros soldados formaram uma guarda de honra e deram uma salva de 21 tiros de fuzil. Em seguida, um rito religioso foi ministrado antes do enterro pelo padre Juarez dos Santos, capelão católico da PM.
O secretário da Segurança Pública, Mendonça Prado, não compareceu ao enterro, mas divulgou nota manifestando "profundo pesar" pelo falecimento do PM. "O soldado Alisson, que era integrante do Getam, estava em serviço no momento do acidente, desempenhando com bravura sua função de defender a sociedade sergipana. Para a SSP, a perda é irreparável e deixará grande lacuna. A dedicação com a qual o soldado Alisson realizava o seu trabalho era ímpar", escreveu Mendonça.


