Gabriel Damásio
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A Polícia Rodoviária Federal em Sergipe (PRF) confirmou ontem a prisão do policial mineiro Calixto Luedy Filho, 56 anos, um dos acusados de participação na Chacina de Felisburgo, ocorrida em 20 de novembro de 2004 na cidade de Felisburgo (MG), região do Vale do Jequitinhonha. O crime aconteceu quando 15 homens armados invadiram um acampamento ligado ao Movimento dos Sem-Terra (MST) e dispararam vários tiros contra os manifestantes, deixando cinco mortos e 12 feridos. Calixto, que é considerado foragido da Justiça mineira, estava morando em Aracaju há pelo menos cinco anos e foi detido na última terça-feira em uma barreira de rotina no quilômetro 6 da BR-235, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju).
Segundo a PRF, o policial passava pelo local a bordo de uma picape GM Montana Conquest com placas da Bahia e colaborou com a abordagem. Os agentes fizeram então uma consulta ao banco de dados do sistema Infoseg, do Ministério da Justiça, e constataram que Luedy tinha dois mandados de prisão em aberto pela comarca de Jequitinhonha (MG), pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio. Calixto foi então levado para a Delegacia Plantonista e depois transferido para uma unidade prisional, onde ainda aguarda transferência para Minas.
O mineiro prestou depoimento e, de acordo com a PRF, admitiu que participou do ataque em Felisburgo, que aconteceu em uma madrugada. De acordo com a denúncia do Ministério Público mineiro, o grupo soltou fogos para reunir os sem-terra e, em seguida, os atacaram com tiros de revólveres, espingardas e escopetas. Depois, colocaram fogo nas casas e na escola do acampamento, provocando um incêndio. A promotoria diz também que Calixto teria organizado o ataque juntamente com seu primo, o fazendeiro Adriano Chafik Luedy, que era dono da Fazenda Nova Alegria e pretendia expulsar os integrantes do MST que tinham invadido a propriedade e ali montado o acampamento chamado de "Terra Prometida".
Calixto foi um dos 13 réus arrolados no processo que apura a chacina e ainda será julgado, podendo ser condenado a até 150 anos de prisão. À PRF sergipana, o policial civil confirmou que, após o episódio, passou por algumas cidades fora de Minas, antes de alugar um apartamento em um condomínio de classe média alta na zona sul de Aracaju. A previsão é de que o acusado fique preso na cidade de Montes Claros ou na capital, Belo Horizonte, aguardando a data do julgamento.
Até agora, quatro réus da Chacina de Felisburgo já foram julgados e condenados pela Justiça de Minas. Adriano Chafik foi condenado a 115 anos de prisão, mas aguarda julgamento em liberdade, graças a um habeas-corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os outros, Washington Agostinho da Silva, Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira e Milton Francisco de Souza, que eram empregados da fazenda de Chafik, foram punidos respectivamente com penas de 97 e 102 anos de prisão por participação na chacina.


