Gabriel Damásio
Uma decisão judicial tomada nesta segunda-feira causou uma reviravolta nas investigações sobre o assassinato do taxista Adelmo Torres Rocha Junior, 30 anos, em 4 de março último na Praça de Eventos do Conjunto Marcos Freire II, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). A juíza Isabela Sampaio Alves, da 1ª Vara Criminal de Socorro, decidiu libertar o presidente da Cooperativa de Transporte Alternativo de Passageiros de Socorro (Coopertalso), Leônidas Silva dos Anjos, o ‘Léo’, acusado pela Polícia Civil de ser o mandante do crime e preso em 27 de abril, em cumprimento a uma ordem de prisão temporária.
Leônidas foi solto no começo da manhã de ontem, após a expedição de um alvará de soltura. Em seu despacho, Isabela afirmou que o presidente não foi denunciado pelo representante do Ministério Público, pois, segundo ele, não foram encontradas provas que confirmem o envolvimento de Leônidas com o homicídio. O nome de ‘Léo’ também foi retirado do processo, por determinação da magistrada.
A promotoria só pediu a prisão preventiva de outros dois acusados do crime: Gustavo Vitório de Oliveira, apontado como executor da morte de Adelmo; e Heryckson Douglas Batista de Jesus, motorista de táxi-lotação na Barra dos Coqueiros e citado nas investigações como o que dirigia o carro usado na fuga de Gustavo logo após o crime. Os dois também foram presos temporariamente em abril e tiveram a preventiva decretada na mesma decisão.
A magistrada citou ainda que Gustavo confessou o crime em depoimento à polícia, enquanto Heryckson caiu em contradição sobre seu envolvimento. Primeiro, ele disse que foi ameaçado com um revólver e obrigado a levar o atirador até o centro de Aracaju, após deixar uma passageira no Marcos Freire. Depois, o acusado falou que a passageira citada estava acompanhada por outro homem e não por Gustavo. A mulher foi ouvida como testemunha e, segundo o texto da decisão judicial, “ficou claro que Heryckson Douglas teve contato prévio com o autor dos disparos” e que este foi quem informou o endereço da praça ao acusado. Nenhuma citação a Leônidas apareceu nos relatos destacados pela juíza.
Na mesma decisão, são citadas duas testemunhas do crime que descreveram o momento do crime, quando o táxi de Adelmo parou em frente à praça do Marcos Freire. Gustavo, que era o passageiro, matou a vítima com seis tiros de revólver e, segundo o relato de um policial civil que estava de folga, “andou normalmente” até entrar em no táxi-lotação da Barra. “Que parecia uma ação sincronizada, o suspeito entrou no táxi tranquilamente e o motorista do táxi se aproximou da praça bem devagar e parou em frente ao suspeito que entrou no carro normalmente; Que não seguiu o táxi por estar naquele instante desarmado, pois saiu em seu dia de folga e resolveu não portar sua arma”, diz o depoimento. Em seguida, o veículo deixou o local em disparada.
Com a entrega da denúncia, a juíza da 1ª Vara Criminal de Socorro abriu prazo de 10 dias para que Gustavo e Heryckson constituam advogado e apresentem suas defesas. Se nenhum advogado for apresentado no prazo, Isabela nomeará um defensor público para fazer a defesa dos denunciados. A partir daí, serão arroladas as testemunhas e iniciadas as audiências de instrução do processo, nas quais podem ser pedidas outras diligências da polícia. Os dois são processados por homicídio qualificado e podem ser condenados a até 30 anos de prisão.

