Milton Alves Júnior
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O estuário do rio do Sal amanheceu ontem com centenas de peixes mortos na margem do atracadouro pesqueiro. Essa foi a terceira vez que o problema ambiental foi registrado na área que fica localizada na zona Norte da capital sergipana. Para estudar a reincidência destes casos e quais as possíveis soluções para os problemas, técnicos da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), em parceria com profissionais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Bens Renováveis no Estado (Ibama/SE), se deslocaram até a área e colheram amostras da água. Ainda não se tem um prazo definido para que sejam apresentados os laudos da pesquisa.
Enquanto o diagnóstico não é apresentado, moradores, banhistas e principalmente os pescadores, permanecem aflitos quanto aos riscos que a água pode causar à saúde de todos que tenham contato direto ou indireto com o líquido que tem causado a morte dos peixes e demais mariscos que habitam na área fluvial. A última vez que este fato ocorreu foi em outubro do ano passado quando dias depois uma análise comprovou que os peixes, da espécie sardinha, morreram em consequência da poluição do rio do Sal. Na ocasião, a morte dos peixes prejudicou cerca de 1.120 pescadores, que não tiveram como trabalhar.
De acordo com o pescador José Ailton dos Reis, a situação se repete em virtude de donos de criadores de camarão estarem jorrando produtos químicos. Esse produto faz com que os camarões cresçam mais rapidamente, mas que servem também como tipo de veneno contra os peixes. Sem saber o que fazer, ele garante que irá passar por problemas financeiros já que não estamos em período de defeso. "Passamos o ano todo esperando que os peixes cresçam e a gente possa pescar e ganhar nosso dinheiro. Quando a pescaria começa a nos dar resultado os donos de viveiros jogam esses produtos e matam nosso alimento e principal fonte de renda", lamentou.
Apesar da Adema ter dito que não tinha conhecimento dos fatos, o também pescador Erisvaldo José dos Santos garante que há mais de três anos esta situação é de amplo entendimento dos órgãos públicos de fiscalização. Segundo o denunciante, todos os anos essa possível droga lançada no rio em pelo menos três oportunidades e isso tem causado transtornos para mais de 50 famílias que se dizem depender da pescaria para se sustentar. "Isso ocorre há vários anos e ninguém faz nada. Os técnicos até chegam a vir aqui, coletam um pouco da água, indicamos o local onde esse veneno é botado, mas depois fica por isso mesmo.
O jeito a se dar é investigar e depois aplicar uma multa em quem faz isso com a natureza", disse.
Até o final da tarde de ontem nenhum produtor de camarão se manifestou quanto às denúncias. O silêncio destes grupos, segundo os pescadores, trata-se de uma estratégia em evitar maior mídia negativa para aqueles que estariam indo de encontro ao natural desenvolvimento das espécies marítimas. "Pra que se manifestar? Eles sabem que as fiscalizações não andam muito e não causam multas, por exemplo. Eles se calam e deixam a poeira baixar. Enquanto isso nós ficamos aqui olhando os peixes morrendo", pontuou Erisvaldo.


