Adolescente afirma que foi estuprado na Usip

Um adolescente de 17 anos que é de Porto da Folha (Sertão) e está detido há 11 dias na Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), na zona oeste de Aracaju, pode ter sido espancado e violentado sexualmente por outros cinco colegas de cela, dentro da unidade. O crime teria acontecido na noite da última sexta-feira e foi denunciado pelo rapaz a agentes socioeducativos, que registraram uma queixa na Delegacia Plantonista. O suposto estupro já começou a ser investigado pela Fundação Renascer, que determinou a abertura de uma sindicância. Os menores envolvidos foram isolados em celas separadas até a conclusão do caso, que também é apurado em um inquérito do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV).

O próprio adolescente agredido disse ao site "Imprensa 1" disse que foi acusado pelos outros menores de agir como "cagueta", isto é, ter denunciado um marido de sua prima como comparsa de um assalto, e que acabou sendo transferido para um presídio. "Só porque eu falei lá na Justiça que foi ele que roubou a casa lá. Eu não fiz nada. Só fiquei olhando ele roubando. Eu contei isso a eles [os acusados] e eles disseram: ‘Ah, cê é cagueta’. E esperaram chegar de noite. Eles não são amigos dele nem nada", disse o interno. Naquela noite, horas depois do diálogo, o rapaz foi agredido, dominado e obrigado a fazer sexo oral e anal com os colegas de cela, os quais, segundo a vítima, teriam até ejaculado em sua cabeça.

A vítima relatou também que, no Domingo de Páscoa, o mesmo grupo de menores teria quebrado uma pia do banheiro e cortado as mãos do adolescente estuprado com os cacos de louça. Os ferimentos foram feitos em forma de cruz, o que simbolizaria uma ameaça de que novas agressões aconteceriam. Após a agressão, o menor decidiu denunciar o ataque aos educadores da Usip. Na noite de anteontem, todos os internos foram levados à Plantonista e prestaram depoimentos. Já na manhã de ontem, a vítima foi levada ao Instituto Médico-Legal (IML) e submetida a exames de corpo delito e conjunção carnal. Os resultados dos exames devem ficar prontos dentro de 30 dias.

Por meio da assessoria de imprensa, a Fundação Renascer confirmou a existência da denúncia e garantiu que todas as providências previstas na lei foram tomadas. Cada um dos seis internos foram isolados em celas diferentes, depois de serem ouvidos na Delegacia. A presidência do órgão vai aguardar os resultados dos laudos e das investigações para decidir a providência que será tomada, mas condenou o ato dos adolescentes e considerou que o interno estuprado viveu "um momento muito complicado". Também será investigada a relação deste crime com uma possível rixa entre os menores envolvidos no caso, a qual teria se criado em meio a crimes cometidos fora da unidade. A sindicância da Renascer está sendo acompanhada pelo Juizado da Infância e Juventude da Comarca de Aracaju. (Gabriel Damásio)

Compartilhe esta notícia