Gabriel Damásio
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O ano termina com mais problemas no Centro de Atendimento ao Menor (Cenam), mesmo com as mudanças em sua gestão. Por volta das 12h30 deste sábado, um grupo de internos conseguiu fugir, pulando as muralhas e portões de entrada, na Avenida Tancredo Neves, no Capucho (zona oeste de Aracaju). O número de fugitivos não foi confirmado pela Fundação Renascer até o fechamento desta edição, mas fontes da Polícia Militar disseram que sete internos escaparam, enquanto testemunhas oculares do incidente falaram em "mais de 10". A unidade foi rapidamente ocupada por soldados do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChq).
Segundo informações iniciais, os internos aproveitaram a presença de familiares no Centro, pois era o dia de visitas. Eles se juntaram em um grupo e avançaram pela quadra de esportes em direção ao portão de acesso à avenida. O representante do Sindicato dos Agentes de Segurança e de Medidas Socioeducativas (Sindasse), Uanderson Conceição, informou que os menores se aproveitaram das falhas abertas no alambrado da quadra, abertas ao longo das sucessivas fugas e rebeliões que praticamente destruíram toda a estrutura física do Cenam – foram cerca de 30 apenas em 2013.
A fuga dos internos foi presenciada por dezenas de motoristas que passavam pela Tancredo Neves. Um deles, o jornalista Álvaro Müller, voltava de carro do Terminal Rodoviário quando viu o grupo de adolescentes saltando dos portões e correndo pela avenida. "Tinha uns cinco pendurados no muro e os outros pulavam, atrás. Foi uma cena muito rápida, de menos de um minuto. E assim que eles pularam, uns correram em direção à [faculdade] Pio Décimo, outros subiram nas britas e entraram no matagal. Alguns estavam segurando as sandálias e, assim que eles pulavam, tiravam logo os uniformes", descreveu Álvaro.
O jornalista disse ainda que não viu nenhum adolescente armado ou policial na porta do Cenam, mas que sua esposa – então em outro carro – relatou ter ouvido sons de tiros disparados de dentro da unidade. O clima ficou muito tenso e alguns motoristas chegaram a parar o carro de forma brusca, quase causando um acidente. Houve buzinaço e a Polícia Militar foi logo chamada para controlar a situação. Dentro da unidade, havia rumores de que alguns dos agentes de segurança tinham sido tomados como reféns – 13 estavam de plantão na hora da fuga.
Um helicóptero do Grupamento Tático-Aéreo (GTA) sobrevoou toda a área do Cenam para auxiliar as equipes de terra na busca pelos fugitivos. Enquanto isso, as equipes do BPChq controlaram o tumulto e faziam revista nas celas do centro quando esta edição estava sendo fechada. A Fundação Renascer deve divulgar nesta segunda-feira uma nota oficial para informar o saldo do incidente e as providências tomadas. Ainda não se sabem os motivos da rebelião, mas os outros levantes foram motivados pelas condições de estrutura do Cenam e por denúncias e de agressões e espancamentos por parte dos agentes.
A crise, que se estendeu à Unidade Socioeducativa de internação Provisória (Usip), se agravou com a greve dos agentes de segurança, a qual durou 107 dias, e provocou fugas de aproximadamente 150 internos. Ela resultou em uma liminar da Justiça que interditou o Cenam em um prazo de 60 dias, determinando que o Estado encontre um local adequado para abrigar os internos. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fez uma inspeção extraordinária nas duas unidades, classificando a situação encontrada como "caótica". Em consequência disso, o governador Jackson Barreto (PMDB) substituiu toda a cúpula da Fundação Renascer e decretou estado de emergência de 180 dias no Cenam e na Usip.


