Agentes penitenciários de Glória realizam protesto

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Agentes penitenciários do Presídio Regional Senador Leite Neto, em Nossa Senhora da Glória, saíram em marcha na manhã de ontem para cobrar providências das secretarias de Justiça e Segurança Pública. O grupo de manifestantes cobra informações sobre o andamento do processo que investiga um assassinato realizado no mês de agosto durante uma fuga de 20 detentos do presídio que deveria ser de segurança máxima. Na ocasião, após intenso motim promovido pelos internos, o agente penitenciário Antônio Nascimento Nogueira acabou sendo atingido por disparos de armas de fogo. A vítima ainda foi resgatada com vida, mas acabou não resistindo aos ferimentos.

Durante o trajeto percorrido, os manifestantes pediram o apoio da população para que o caso não seja esquecido e assim amplie a dor da perda vivenciada por amigos, familiares e colegas de profissão. Palavras de ordem foram pronunciadas na sede da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa do Consumidor (Sejuc), na porta da SSP, e na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Antes mesmo da marcha chegar nas intermediações da Praça Tobias Barreto, onde fica instalada a base administrativa da Segurança Pública de Sergipe, os agentes foram informados que a direção da Polícia Civil mostrava interesse em debater o assunto junto à classe trabalhadora.

Segundo explicações feitas por Luciano Nery, diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários e Servidores da Sejuc (Sindipen), é preciso que o estado apresente a elucidação do crime já que na época foi veiculado por gestores da SSP a possibilidade de as armas utilizados nas fugas terem sido infiltradas no sistema prisional por meio dos próprios agentes. Essas suposições causaram desconforto na categoria que exige novidades quanto à sindicância instaurada. "Queremos saber como anda esse processo, já que disseram que a gente tinha facilitado a fuga e ainda tínhamos botado arma lá dentro. Perdemos um amigo na batalha contra os internos e ainda fomos acusados pelo estado. Só estamos nas ruas em busca de respostas", afirmou.

Aproveitando a oportunidade, a classe trabalhadora exigiu do Governo do Estado qualificação nas condições de trabalho. O grupo pede aquisição de novos coletes balísticos, novos fardamentos, realização de concurso público para ampliação do quadro funcional e melhorias imediatas na estrutura física das unidades prisionais. Ainda de acordo com as afirmações feitas por Nery, o secretário da Justiça Antônio Hora teria prometido à categoria a realização de concurso, mas o edital ainda não foi sequer divulgado. "Precisamos que essas promessas deixem de ser apenas da boca pra fora e se tornem realidade. Na hora do conflito é prometido tudo, mas depois parece que esquecem do que falaram publicamente", pontuou o diretor.
A Assessoria de Comunicação da SSP informou que os órgãos envolvidos no diálogo mostram-se interessados em aprofundar a discussão, inclusive, ampliar o progresso do sistema juntamente com os servidores. Já a OAB que foi citada pelos manifestantes como possível parceira dos cidadãos, até à tarde de ontem não havia se manifestado quanto ao pleito dos agentes.

Agentes socioeducativos – Depois de três meses com os serviços funcionais parcialmente suspensos, os agentes do Cenam e da Unidade Socioeducativa de Internação Provisória decidiram na tarde de ontem aprovar pelo reinício dos trabalhos em formato integral. A decisão foi possível após a categoria ter entrado em acordo na manhã de ontem junto à direção da Fundação Renascer, durante audiência realizada sob mediação do Ministério Público do Trabalho. Desde o mês de outubro a categoria encontrava-se pleiteando regularização do Green Card. "Todos os benefícios legais serão garantidos até o último dia útil de dezembro. Esse foi um compromisso firmado por nós junto aos agentes. Felizmente chegamos a um acordo", declarou Wellington Mangueira, diretor presidente da Fundação Renascer.

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