Milton Alves Júnior
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Professores em greve invadiram na manhã de ontem o Palácio Governador Augusto Franco, chamado de "Palácio de Despachos", sede do governo do Estado, em Aracaju, e, de forma inusitada, se algemaram diante de agentes da Polícia Militar que tentavam conter o ato promovido pela categoria e coordenado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese). A invasão, que contou com a participação de dezenas de educadores, serviu mais uma vez para pressionar o governador Jackson Barreto a repassar o reajuste salarial de 13,01% para todos os níveis de carreira.
Sobre o uso de algema, a categoria alega que serve como reflexo do trabalhador brasileiro que habita em um país na qual se denomina democrático, e possui em sua bandeira a garantia de ordem e progresso. Os invasores que nesta ocupação representaram 12 mil professores em greve, indicam a prisão através de algemas como mais uma forma de enaltecer a insatisfação junto aos gestores estaduais e ao Tribunal de Justiça que, através do desembargador José dos Anjos, decretou ilegalidade da greve. Durante o acesso à parte administrativa da Seed, os professores garantiram que só deixariam o ambiente após nova rodada de negociações com o governador, ou com gestores que possuam autonomia para responder oficialmente na ausência de Jackson.
Para a professora Ângela Melo, atual presidente do Sintese, é preciso que o Estado entenda que o movimento grevista trata-se de uma paralisação legal, onde a única injustiça promovida está na caneta do governador. "Essas ocupações foram promovidas por trabalhadores honestos que estão cansados de tanto apanhar nesse estado. É uma injustiça o que estão fazendo com os professores e com a educação pública de Sergipe. Só com a luta iremos garantir um futuro melhor para a categoria e para os estudantes. Por isso a luta continua e só para quando decidido em assembleia", afirmou.
O resultado da ocupação deve ser apresentado logo mais as 15h na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, onde o sindicato volta a se reunir com os filiados a fim de debater o futuro da mobilização. Em meio a essa queda de braço entre Sintese e Governo, existe uma multa diária fixada em R$ 10 mil que foi arbitrada pelo TJ através da liminar do desembargador José dos Anjos. "Não estamos de braços cruzados para prejudicar ninguém, o que acontece é que o pagamento do piso é um direito constitucional do trabalhador e essa lei deve ser cumprida. Estamos dispostos a conversar e buscar entendimento com os outros pleitos, mas dos nossos direitos constitucionais não abrimos mão", destacou Ângela Melo.


