Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Um diabo com chifres
e tridente, extravi
ado de algum Cartoon fora de moda, pousou em meu ombro esquerdo e só sossegou depois de eu ler os poemas de Francisco Santos. Pelo nome, ninguém conhece o dito cujo. Mas basta mencionar o apelido forjado nas trincheiras abertas pelo sindicalismo para qualquer um saber de quem se trata. Poeta de versos chinfrins, Chico Buchinho é conhecido de toda a gente.
Na flor dos anos, Chico Buchinho leu Drummond e desandou a cometer versos, tomado pela febre própria da pouca idade. Em tal altura da vida, a ausência de escrúpulos é perdoável, acontece a todo mundo. Nada justifica, entretanto, o juízo embotado do homem maduro, ludibriado por um impulso da juventude perdida. O mundo passou 40 anos sem saber dos poemas de Chico Buchinho. Uma vez publicados, constata-se, os poemas de Chico Buchinho nunca fizeram falta.
‘Nós da vida’ é cafona, desde a capa. Raquítico – são 61 páginas, com rabo e tudo – tem como única virtude o miolo esquálido. A lombada delgada passa despercebida na bagunça das bibliotecas domésticas. Para todos os efeitos, no quase nada do corpo material, estes poemas permanecem de bico fechado, impronunciáveis.
Cá entre nós, é melhor assim. Faltam dedos para contar o tanto de poetas à toa sob o céu de Aracaju. Neste particular, Chico Buchinho é apenas mais um. A pouca atenção conquistada agora pelos seus versos juvenis deriva exclusivamente do prestígio político do autor. Em Sergipe, onde todo mundo se conhece, a passagem pela administração pública é tomada por uma espécie de halo.
Cada um com a sua competência. Chico Buchinho soube tirar proveito da própria vida, comprou as brigas que julgou mais justas, colaborou como pôde para minimizar as injustiças que ainda pesam sobre o lombo dos trabalhadores. Há quem diga, inclusive, que se trata aqui de excelente pessoa, bom de papo. Eu não duvido. O poeta, entretanto, não passa de um chato.
Um diabo com chifres e tridente, extravi ado de algum Cartoon fora de moda, pousou em meu ombro esquerdo e só sossegou depois de eu ler os poemas de Francisco Santos. Pelo nome, ninguém conhece o dito cujo. Mas basta mencionar o apelido forjado nas trincheiras abertas pelo sindicalismo para qualquer um saber de quem se trata. Poeta de versos chinfrins, Chico Buchinho é conhecido de toda a gente.
Na flor dos anos, Chico Buchinho leu Drummond e desandou a cometer versos, tomado pela febre própria da pouca idade. Em tal altura da vida, a ausência de escrúpulos é perdoável, acontece a todo mundo. Nada justifica, entretanto, o juízo embotado do homem maduro, ludibriado por um impulso da juventude perdida. O mundo passou 40 anos sem saber dos poemas de Chico Buchinho. Uma vez publicados, constata-se, os poemas de Chico Buchinho nunca fizeram falta.
‘Nós da vida’ é cafona, desde a capa. Raquítico – são 61 páginas, com rabo e tudo – tem como única virtude o miolo esquálido. A lombada delgada passa despercebida na bagunça das bibliotecas domésticas. Para todos os efeitos, no quase nada do corpo material, estes poemas permanecem de bico fechado, impronunciáveis.
Cá entre nós, é melhor assim. Faltam dedos para contar o tanto de poetas à toa sob o céu de Aracaju. Neste particular, Chico Buchinho é apenas mais um. A pouca atenção conquistada agora pelos seus versos juvenis deriva exclusivamente do prestígio político do autor. Em Sergipe, onde todo mundo se conhece, a passagem pela administração pública é tomada por uma espécie de halo.
Cada um com a sua competência. Chico Buchinho soube tirar proveito da própria vida, comprou as brigas que julgou mais justas, colaborou como pôde para minimizar as injustiças que ainda pesam sobre o lombo dos trabalhadores. Há quem diga, inclusive, que se trata aqui de excelente pessoa, bom de papo. Eu não duvido. O poeta, entretanto, não passa de um chato.