Aracaju perde participação no PIB

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou ontem as estimativas do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios em 2010. Mais uma vez ficou constatado que o município com maior participação é Aracaju, com 36,57% do total geral de participações.

Segundo o supervisor de Disseminação de Documentação de Inovação do IBGE, Vinícius Andrade, a série história do PIB dos municípios iniciou em 1999. Há pouco mais de uma década Aracaju possuía uma participação de 43,05%. "Aracaju vem perdendo participação, porque outros municípios têm aumentado o seu desempenho. O que não quer dizer que o PIB aracajuano diminuiu", explicou.

O município de Canindé do São Francisco, diferente de Aracaju, aumentou a sua participação, que em 1999 era de 1,23%, e em 2010 atingiu 5,54%. Carmópolis tinha 0,61%, e em 2010 chegou a 1,67%. Rosário do Catete passou de 0,9% para 1,7%, há dois anos. Nossa Senhora do Socorro de 5,63% para 7,54% de crescimento na participação do PIB.
O economista Ricardo Lacerda avalia que os dados dos municípios sergipanos mostram crescimento e que o aumento do PIB no interior tem sido maior que na capital. "É positiva essa mudança, porque desconcentra o desenvolvimento".

Segundo ele, o crescimento no interior se dá ao fato das indústrias estarem se instalando também nas pequenas cidades. "A economia está sendo levada para o interior, seja por conta dos recursos minerais ou por conta de outros setores da economia. Por exemplo, em Nossa Senhora da Glória há a atividade leiteira, além de indústrias de móveis, em Canindé do São Francisco, a Chesf", lembrou. "Com o crescimento do PIB é possível assistir a geração de emprego e renda, riqueza, mais produção", acrescentou o economista.

Já o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Luiz Moura, observou que a economia de Aracaju está atrelada ao Estado. "Se o Estado está bem, a capital também estará".

Outro ponto exposto é que o PIB sergipano está congelado há 30 anos. Ele diz ainda que com maior participação no PIB, os gestores públicos da capital tem por obrigação melhorar questões de relevância para a população, como a mobilidade urbana, a questão ambiental, o desenvolvimento urbano e inclusive com o destino final do lixo.
O setor de serviços detém 68% do PIB, desse montante 26% é a fatia da administração pública, com o pagamento dos salários dos servidores públicos, aposentadorias e pensões.

Luiz Moura diz que por conta dos royalties em algumas cidades, como Japaratuba, Canindé do São Francisco, Carmópolis e outras, houve uma melhor participação no PIB. No entanto, os recursos não estão atrelados à melhoria dos indicadores sociais.
"É oportuna a discussão dos royalties no Congresso Nacional. A forma de partilhar deve ser discutida, pois a riqueza não é distribuída. Os valores arrecadados com os royalties são significativos, porém, os prefeitos argumentam que não dá para oferecer serviços de qualidade à população". Para Luiz Moura o aparato de fiscalização desses recursos deixa a desejar.

O economista esclarece que a estimativa para 2011 é de um PIB de R$ 26 bilhões, o que corresponde a 0,7% do PIB brasileiro. No Nordeste, a participação do PIB sergipano é de 4%. "Mesmo com pequena participação, temos os melhores índices sociais da região Nordeste", garante.

PIB – O trabalho de levantamento de dados de Sergipe aconteceu em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag).
A metodologia e a base de dados do PIB dos Municípios estão completamente integradas às novas séries das Contas Nacionais e das Contas Regionais do Brasil, sendo seus resultados compatíveis com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 1.0).

São apresentados, a preços correntes, os valores adicionados brutos dos três grandes setores de atividade econômica – Agropecuária, Indústria e Serviços – bem como os impostos, líquidos de subsídios, o PIB e o PIB per capita em 2010.
Apesar de estar inserido no setor de serviços, foi divulgado também o valor adicionado bruto da administração, saúde e educação públicas e seguridade social em separado, devido à relevância deste segmento na economia municipal.

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