Milton Alves Júnior
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Sem acordo coletivo e apresentação de contrapropostas, greve de garis e margaridas chega ao terceiro dia sem previsão de retorno aos trabalhos. A atitude já contabiliza mais de 150 toneladas de lixo doméstico espalhados pelas cidades de Aracaju, Laranjeiras e Nossa Senhora do Socorro. Na tentativa de pressionar o prefeito João Alves Filho a exigir o cumprimento constitucional por parte das empresas que fornecem o serviço de coleta urbana, em especial a Torre, mais de 800 pessoas seguem hoje em marcha pelas principais ruas e avenidas da capital com direção ao Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju. Apenas 30% do efetivo profissional continua em serviço. Essa porcentagem representa pouco mais de 200 trabalhadores nas ruas.
A deflagração da greve foi aprovada por unanimidade pela categoria em assembleia realizada na quinta-feira, 01 deste mês. Desde então, o Sindicato dos Empregados da Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindelimp) pleiteia um reajuste salarial de 15%, que representa um aumento mensal de R$ 879. Os grevistas exigem também a concessão de plano de saúde, auxílio alimentação no valor de R$ 18 por dia, pontos de apoio para atender aos profissionais durante a jornada de trabalho e auxílio creche no valor de R$ 200. Não identificando uma contraproposta empresarial, muito menos o recuo dos manifestantes, a administração municipal, através da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), responsável pela urbanização da cidade, vem encontrando ampla dificuldade para manter a cidade limpa.
De Norte a Sul da capital, os moradores e turistas já podem observar inúmeros pontos de acúmulo de lixo. No centro comercial, por exemplo, a falta de coleta tem protagonizado cenas lamentáveis e de total abandono. Com situações semelhantes, no bairro Bugio a população decidiu aglomerar todos as sacolas de lixo em um terreno abandonado e incendia-las. Já no conjunto Augusto Franco, os terrenos tem sido o principal ponto de arremesso de lixo domiciliar nos últimos três dias. De acordo com o presidente do Sindelimp, Rayvanderson Fernandes, enquanto as reivindicações não forem atendidas como pleiteia a categoria, as possibilidades de os garis e margaridas retornarem aos trabalhos é ‘zero’.
"Desde quarta a noite somos convidados para participar de mesas de negociação, mas estamos perdendo nosso tempo porque eles não apresentam nenhum proposta para a categoria, muito menos nós convocam para informar que vão aceitar nossa demanda. Se continuar desse jeito, a greve vai passar muito tempo ainda com os trabalhadores de braços cruzados", declarou o sindicalista. Enquanto os acordos não são firmados e o efetivo operacional é reduzido a cada dia que passa, milhares de casas permanecem aglomerando sacolas de lixos; terrenos das três cidades com serviços interrompidos continuam virando depósito de resíduos domésticos e a proliferação de roedores, cobras e escorpiões só faz aumentar. Essa preocupação, segundo o Sindelimp, não é dos trabalhadores.
Ainda segundo Rayvanderson Fernandes, é preciso que os grevistas permaneçam unidos e sem registrar atos de vandalismo como foram registrados no dia de ontem. Para o presidente, a categoria enfrenta um momento ímpar, onde os direitos adquiridos por lei podem, finalmente, sair do papel e beneficia centenas de famílias. "É inadmissível que estes trabalhadores continuem sendo lesados por um grupo de empresários que só visam o lucro no final do mês e não respeitam os seus funcionários que dão o suor pra cumprir com a missão social. Vamos continuar nas ruas e hoje vamos sair em caminhada até a sede da prefeitura. Reafirmamos que a greve permanece por tempo indeterminado e a população já mostra apoiar os pedidos dos garis", afirmou.
Outros problemas – Além do acúmulo avassalador de lixo ao longo das ultimas 72 horas, o Sindelimp lembra outros problemas que podem prejudicar ainda mais os moradores. Segundo Maria Luiza dos Santos, que trabalha como margarida há mais de 15 anos, quando a greve for concluída, a depender do tempo que durar o ato público, a tendência natural é que a cidade permaneça suja por mais uma, ou duas semanas. Essa procedência deve de fato ocorrer em virtude do baixo número de trabalhadores e caminhões a serem utilizados no recolhimento dos lixos que estão de armazenando desde as 0h de quarta-feira. Segundo a grevista, nunca na história da Grande Aracaju a população presenciou uma paralisação tão significativa por parte desta categoria.
"Dessa vez a greve está realmente forte e com todo gás para que a gente, quem sabe, passe a receber o que merecemos. Os mais velhos podem olhar pra trás e perceber que em nenhuma outra vez os garis e nós margaridas decidimos parar os trabalhos sem medo de justiça. É bom deixar claro também que a justiça quem faz é Deus, e os homens de boa vontade aqui na terra não vão ficar contra nós. Disso eu tenho certeza e fé. Sem acordo não tem volta aos trabalhos", avisou.
Representantes do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação (Seac) voltam a afirmar que acordos judiciais firmados com outro sindicato no ano de 2012 estão sendo cumprido, logo, essa paralisação seria ilegal. Após a manifestação em frente a sede da prefeitura, que deve ocorrer por volta das 8h, os manifestantes seguem até a sede da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) para promover uma nova reunião.
Ontem à noite, o secretário de Comunicação de Aracaju, Carlos Batalha, informou que a justiça determinou que 50% do efetivo de garis passem a trabalhar a partir de hoje.


