As cores do desespero e do triunfo de Mercedes Sosa

Considerada a maior intérprete do folclore argentino, Mercedes Sosa se tornou uma das principais representantes da música latina no mundo. A trajetória artística e pessoal da cantora, símbolo das lutas por igualdade e justiça, é contada no livro Mercedes Sosa – A Voz da Esperança. A biografia é de autoria da escritora dinamarquesa Anette Christensen.
Publicado originalmente em inglês, a obra com traduções de Mariana D’Angelo é fruto de mais de sete mil horas de pesquisa. Além da consulta bibliográfica, a autora teve acesso a gravações, participações da cantora em eventos, shows, entrevistas concedidas, entre outras realizadas por Anette em quase uma década. Amigos, colegas e fãs revelam histórias nunca antes contadas ao público.
Ilustrada com 44 fotos históricas, a primeira parte retrata a extraordinária vida e carreira de Sosa e mostra como a criação em uma família pobre da classe operária, o ambiente político da Argentina durante a ditadura militar e as aflições pessoais moldaram sua vida e carreira. Entre os períodos marcantes, como as perdas do pai e do marido, a cantora foi acusada de desobediência civil, chegou e a ser presa e também exilada.
Eram músicas de protesto? Eu nunca gostei desse rótulo. Eram canções sinceras sobre o modo como as coisas realmente são. Eu sou uma mulher que canta, que tenta cantar o melhor possível com as melhores músicas disponíveis. Foi-me atribuído este papel de grande contestadora, mas não é nada disso. Eu sou apenas uma artista pensante. (…) Eu acredito em direitos humanos. A injustiça me faz sofrer, o que quero é a paz verdadeira.. (Mercedes Sosa – A Voz da Esperança, p. 29 )
Na segunda parte, a autora retrata os impactos positivos da conexão com “La Negra”, como a argentina era conhecida, que a ajudaram a superar traumas emocionais e a fadiga crônica.

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