O cabo Arquibaldo Pereira da Silva, lotado na 3ª Companhia do 4º Batalhão de Polícia Militar (3ª Cia/4º BPM), foi agredido por seis homens que assaltaram um bar às 22h de anteontem em Nossa Senhora das Dores (Médio Sertão). Um dos marginais usou uma barra de ferro e bateu com muita força no rosto do policial, no momento em que este tentava impedir o roubo. O cabo chegou a dar dois tiros de pistola contra os bandidos, mas, após ser ferido, teve sua arma roubada. Ele foi socorrido por colegas de serviço e internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju.
De acordo com o tenente-coronel Paulo César Paiva, porta-voz da PM, o bar onde o crime aconteceu fica junto a um sítio na rodovia estadual entre Dores e Siriri. O militar estava de folga quando viu quatro homens entrando no estabelecimento, armados com um revólver calibre 38 e uma espingarda calibre 12. Os outros dois ficaram fora do bar, dando cobertura aos comparsas. "O cabo, percebendo a movimentação, sacou a sua arma particular e desferiu alguns tiros, conseguindo ferir um dos meliantes. Eles então trocaram tiros com ele e conseguiram atingi-lo no rosto com a barra de ferro. Ele ficou meio que desacordado e os marginais fugiram do local levando a arma do policial. Na verdade, ele não foi atingido por tiros", esclareceu o porta-voz.
Colegas do cabo Arquibaldo foram acionados e o socorreram ao Pronto-Socorro. O militar foi transferido durante a madrugada para o Huse, foi medicado e passou por exames. De acordo com familiares, ele foi liberado à tarde e descansa em sua residência. Ainda no hospital, ele teria escrito uma mensagem que circulou pelas redes sociais. "Obrigado, meu Deus. Ainda estou no mundo. E vamos ver o que a Justiça vai fazer aos meliantes. Condená-los e eles vão receber um auxílio de mais de um salário, e eu estou com o rosto desfigurado e uma arma para pagar. Não têm direitos humanos para mim, tem justiça e disciplina. Mas estou vivo e vou cobrar minha divida, podem ter certeza", diz o texto.
Após o socorro, começaram as buscas pelos seis assaltantes. Um reforço foi mobilizado com equipes do Pelotão Especial de Policiamento em Áreas de Caatinga (Pepac), do Grupo de Ações Táticas do Interior (Gati) e da Companhia de Policiamento de Radiopatrulha (CPRp), além do apoio de policiais civis lotados na Delegacia de Polícia de Dores. Uma câmera instalada no bar registrou todo o assalto e ajudou os policiais a identificar os suspeitos.
Durante a madrugada, quatro participantes do assalto foram presos e identificados como Antônio Adeilton Gonzaga Oliveira, Anselmo Gomes Moura, Wilames Freitas dos Santos, Gabriel Matos Moreira. De acordo com Paiva, eles confessaram participação no crime e confirmaram que um dos comparsas foi realmente atingido pelo tiro do policial. O suspeito ainda não foi encontrado e está sendo procurado por hospitais de todo o estado. "Parece ter sido uma ação programada, porque eles estavam usando até uma espingarda", disse o oficial.
No meio da tarde, um quinto acusado, de prenome Fabinho, se apresentou na Delegacia de Dores e admitiu que também estava no assalto. Os que foram presos durante a madrugada foram levados para a Delegacia Regional de Nossa Senhora da Glória e autuados em flagrante. As armas usadas no crime, no entanto, não foram achadas. A PM informou ainda que um sétimo suspeito foi identificado, por ter sido o único que não havia sofrido agressão por parte da quadrilha. Ele também foi preso em flagrante logo em seguida. (Gabriel Damásio)
Também em Dores, ex-detento é morto com 11 tiros
Três horas antes do assalto ao bar na zona rural de Nossa Senhora das Dores, um segundo crime chocou os moradores da cidade. Por volta das 19h, o ex-presidiário José Valdemir Pereira, 29 anos, conhecido como "Barrão", foi assassinado com 11 tiros de espingarda em uma casa no bairro Gentil, periferia da cidade. De acordo com informações apuradas pela PM local, dois homens chegaram ao local a bordo de uma moto e chamaram Valdemir à porta. Assim que ele atendeu, os assassinos abriram fogo e fugiram, deixando para trás várias cápsulas de espingarda. A vítima morreu na hora e foi atingida principalmente na cabeça.
O tenente-coronel Paulo Paiva, da PM, todas as características do caso apontam para a existência de um crime de execução, motivado por desavenças ligadas ao tráfico de drogas. "O ‘Barrão’ já teve algumas passagens pela polícia e tinha um irmão que também era ex-presidiário ligado ao tráfico de drogas e a homicídios. Esse irmão dele também foi executado em situação semelhante. Além de atirar, os elementos ainda seguiram o ‘Barrão’ até o quintal da casa dele, porque a vítima tentou fugir. Tudo indica então que foi uma execução motivada por essa rixa", falou o porta-voz.
O irmão de Valdemir citado pelo coronel é José Edmilson Pereira, 29, o "Neguinho de Major", morto em 20 de março deste ano no bairro João Ventura, igualmente na periferia de Dores. Na ocasião, desconhecidos a bordo de um carro dispararam vários tiros contra ele e um dos disparos acertou o tanque de combustível da moto da vítima. O veículo explodiu e o corpo acabou carbonizado. A Delegacia de Dores ainda investiga os dois crimes. (Gabriel Damásio)


