Assaltantes arrombam bancos e polícia não faz perseguição

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Novos ataques de assaltantes contra caixas eletrônicos voltaram a ser registrados em Sergipe. Em uma ação inédita e ousada, duas agências bancárias foram explodidas em um intervalo de três minutos por uma quadrilha fortemente armada que ainda cercou uma praça e espalhou ganchos afiados nas ruas para evitar a perseguição de carros da polícia. Isso aconteceu por volta das 3h20 de ontem em Riachão do Dantas (Centro-Sul), onde os criminosos praticamente destruíram as unidades locais do Banco do Brasil e do Bradesco, roubaram delas cerca de R$ 231 mil em dinheiro – conforme dados levantados pela Polícia Civil.

Segundo informações iniciais, os crimes envolveram a ação de pelo menos 12 homens encapuzados e armados com escopetas e metralhadoras. Eles chegaram à Praça Nossa Senhora do Amparo, no centro do município, em pelo menos três carros e se dividiram: um grupo foi até o Banco do Brasil, na própria praça e o outro seguiu para o Bradesco, que fica a uma quadra do local. Cerca de 15 minutos depois, os primeiros estouros de dinamite foram ouvidos na praça.

Três minutos depois, outras explosões foram ouvidas com mais força na rua da agência do Bradesco. Os criminosos agiram rápido para recolher, em um malote, o dinheiro espalhado entre os escombros, antes de fugir. Parte das cédulas acabou sendo queimada com o fogo da explosão. Do BB, o total roubado foi de aproximadamente R$ 200 mil, enquanto o prejuízo do Bradesco foi de R$ 31 mil. Segundo funcionários dos bancos, as quantias chegaram há poucos dias para abastecer as agências, pois esta semana é dedicada ao pagamento mensal de empresas da cidade e dos aposentados da Previdência Social.

O barulho das explosões acordou e alarmou a população de Riachão, que correu em massa para a praça para ver os estragos. Os primeiros vizinhos que saíram à porta de suas casas para ver o que acontecia tiveram que recuar, pois foram ameaçados pelos criminosos que davam cobertura aos comparsas no lado de fora e, apontando-lhes as armas, ameaçavam atirar. "Saí na rua e vi um monte (sic) de homens com capuzes. Achei que fossem vândalos e fui ao encontro deles, falando que eles iriam pagar por aqueles estragos. Quando percebi que eram bandidos quase tive um infarte", disse uma vizinha, que pensava tratar-se de meninos estourando ‘bombinhas’ de São João.

Outra pessoa ameaçada pelos marginais foi o pecuarista Walter Fontes, dono do imóvel onde funciona o Bradesco de Riachão, que viu dois homens armados dentro do banco e conta que eles gritavam nervosos para os comparsas. "Vamos embora! A bala está na agulha! Vambora, vambora, vambora! (sic)", diziam os ladrões.  Além dos caixas eletrônicos, os dois bancos tiveram paredes, tetos e portas derrubadas com o impacto das explosões e estilhaços dos vidros foram atirados em até 50 metros de distância. Não há prazo definido para a volta do funcionamento das agências.

Soldados do Destacamento da Polícia Militar foram logo acionados e logo iniciaram uma perseguição em duas viaturas, mas estas tiveram os seus pneus estourados e não puderam seguir em frente, pois os criminosos espalharam, nas principais ruas da cidade, ganchos feitos com ferros pontiagudos retirados de lanças ou grades. Imediatamente, foram acionadas equipes do 7º Batalhão de Polícia Militar (7º BPM) sediadas nas cidades vizinhas de Lagarto e Tobias Barreto, que se somaram às buscas em menos de 10 minutos.

No final da madrugada, um VW Crossfox supostamente usado no assalto foi encontrado queimado em uma estrada de terra no povoado Tanque Novo, zona rural de Riachão. Moradores próximos ao local relataram ter visto homens subindo em uma caminhonete enquanto colocavam fogo no carro, deixando-o totalmente destruído. O caso é apurado por equipes do Centro de Operações Especiais da Polícia Civil (Cope), que chegaram à Riachão no início da manhã e fizeram os primeiros levantamentos, acompanhados de peritos do Instituto de Criminalística. Os núcleos de inteligência das polícias Civil e Militar também apuram o caso. A ação, segundo a polícia, foi muito bem planejada pelos criminosos, que podem ser de fora do Estado. 

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