Kátia Azevedo
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O atraso das obras de pavimentação e drenagem referentes a reconstrução do canal Beira Mar, na avenida Hildete Falcão, bairro Atalaia, foi o principal motivo de um protesto realizado no inicio da manhã de ontem por moradores que residem em loteamentos localizados no Complexo do Aeroporto de Aracaju, zona sul da capital.
De acordo com os moradores, as obras foram abandonadas por construtoras contratadas pela prefeitura. A conclusão da obra estava prevista desde o ano passado, mas está parada. Revoltadas com a situação, famílias que moram no Residencial Enseada das Águas e áreas adjacentes interditaram a avenida Fábio José Cardoso Ramos, interrompendo o trânsito no local. Os manifestantes queimaram galhos de árvores, obstruindo a via. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar foram acionados para negociar com os moradores a liberação da pista.
Durante a manifestação, os moradores cobraram uma solução do poder público para a continuidade das obras do canal e a pavimentação da avenida. "As obras estão paradas desde o ano passado, mesmo tendo verbas federais garantidas para a sua realização. Duas construtoras abandonaram os serviços e hoje a população sofre com a poeira, problemas de escoamento de esgoto e a ameaça de mais uma vez ter a casa inundada com as águas das chuvas. O mês de março se aproxima e temos a preocupação de que uma nova enchente invada os imóveis e provoque mais perdas. Estamos abandonados pela prefeitura, que não toma nenhuma providência sobre o assunto", reclama José Bonifácio, um dos moradores do local.
Ainda segundo os moradores, a Deso realizou o esgotamento sanitário, mas a prefeitura não fez a pavimentação. Eles temem que com as próximas chuvas, várias casas dos loteamentos JC Barros, Santa Clara, Residencial Porta do Sul, conjunto União e Beira Mar I e II, entre outros, sejam inundadas.
A obra do Canal Beira Mar é orçada em quase R$ 5,2 milhões. Ela teve início em fevereiro de 2012. Com 630 metros de extensão, as obras do canal têm como objetivo aumentar a vazão das águas, reduzindo a formação de pontos de alagamento na região, principalmente do conjunto Costa do Sol. A cobertura do canal vai impedir também a ligação irregular de esgoto na rede de drenagem, bloqueando a proliferação de odores no local.
Já as obras envolvendo o complexo estão avaliadas em R$ 12 milhões, que incluem o canal, abertura de uma nova via que interliga o conjunto Beira Mar às avenidas Júlio César Leite e Hildete Falcão, além da pavimentação e da microdrenagem. R$ 3 milhões são destinados a indenizações provenientes de desapropriações de imóveis no local. A via foi liberada no meio da manhã. Os moradores planejam interditar a avenida Melício Machado se a prefeitura não resolver o problema.
Segundo informações divulgadas pela Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) e Secretaria Municipal de Infraestrutura, o atraso da obra foi ocasionado por um impasse relacionado à desapropriação da área diante do fato de muitos moradores discordarem dos valores propostas pela prefeitura para a saída do local. De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura, os trechos onde ocorreram as desapropriações terão obras iniciadas já a partir da próxima semana.


