Kátia Azevedo
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Cerca de 180 trabalhadores terceirizados que atuam no refeitório do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) estão com atividades paralisadas desde ontem.
Os funcionários são da Empresa MS Har, que assumiu o serviço no ano passado após a desistência da DALL, que até então terceirizava a oferta de alimentação nas duas unidades de saúde gerenciadas pela Fundação Hospital de Saúde (FHS).
Logo pela manhã, os funcionários realizaram um protesto em frente ao Huse e ocuparam o refeitório da unidade de saúde. O caso vem sendo acompanhado pela direção da Força Sindical. De acordo com o dirigente da entidade, Alexandre Delmondes, os trabalhadores estão com salários atrasados, férias vencidas e sem tiket-alimentação e vale-transporte.
Segundo Alexandre Delmondes, a MS Har já reincidiu o contrato com a FHS e só atuará até 7 de setembro, situação que está preocupando os empregados terceirizados.
Ainda conforme Alexandre Delmondes, o acordo coletivo do trabalho que normatiza a escala especial da atividade que os funcionários executam de 12 por 36 horas não tem sido praticado pela atual empresa.
Ele chama a atenção que os servidores terceirizados que prestam serviços de alimentação para as duas unidades vêm acumulando perdas desde o ano passado com a grande rotatividade de empresas que entram e saem do sistema sem respeitar o cumprimento de direitos trabalhistas.
Na avaliação do representante da Força Sindical as falhas de gerenciamento do serviço têm impactos nocivos para os trabalhadores. "Estamos cansados de ver o trabalhador pagar a conta. Esta não é a primeira vez que os terceirizados arcam com problemas entre contratante e contratadas. A Multiserv, há 60 dias não pagou o salário do pessoal da limpeza, alegando que não recebia o pagamento do governo. Muitas pessoas tiveram mandado de prisão decretada porque não conseguiram pagar a pensão alimentícia. Outras sofreram ordem de despejo. Não aguantamos mais este jogo de empurra-empurra", destaca.
Alexandre Delmondes disse ainda que foram realizadas várias audiências e em uma delas foi relatado em ata pela MS Har que não tinha condições de pagar os trabalhadores porque até o momento a FHS não tinha quitado a dívida de R$ 4.150.250, 74 junto à mesma. "Tentamos nova mediação e a empresa informou que só teria condições de pagar os salários caso fosse quitada uma fratura. Já temos um passivo desses trabalhadores de março do ano passado até hoje. O serviço continua sendo prestado pelos empregados e eles não têm tido os seus direitos enquanto trabalhadores resguardados", ressaltou.
Ele disse que a situação chegou ao limite, apesar dos trabalhadores terem buscado muitas tentativas de evitarem a paralisação. "Todas as vias estão interrompidas e por isso partimos para o movimento paredista para que os responsáveis assumam o ônus. Estamos cansados de ver os trabalhadores pagando a conta pela ingerência do sistema", destaca.
Durante a paralisação, apenas 30% do quadro efetivo está funcionando, como determina a legislação em situações de serviços essenciais. "A alimentação de acompanhantes e servidores está comprometida, sendo assegurada apenas a oferecida aos pacientes. Esperamos que a FHS, enquanto contratante, tome uma providência efetiva", enfatiza.
De acordo com informações da assessoria de comunicação da FHS, a instituição vem pagando regulamente a empresa e que o passivo existente integra uma ação de início de contrato que está sendo analisada pela assessoria jurídica da Fundação. A assessoria informou ainda que o vínculo empregatício é com a empresa e não com os trabalhadores e que, portanto, não cabe a FHS administrar tal problema.
Já a Empresa MS Har informou que a mesma chegou a procurar a Fundação com o objetivo de chegar a um acordo, mas nunca foi atendida pela direção da instituição.


