Aumento da criminalidade tem a ver com tráfico

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O delegado Alessandro Vieira tomou posse ontem de manhã como novo delegado-geral da Polícia Civil, concluindo o ciclo de mudanças na cúpula da Secretaria da Segurança Pública (SSP).  A solenidade aconteceu ontem na sede da Academia de Polícia Civil (Acadepol), no Capucho (zona oeste), com a presença do governador Jackson Barreto e do secretário João Batista Santos Júnior. Ambos voltaram a cobrar integração e harmonia do órgão com a Polícia Militar e outros órgãos de segurança para reduzir os índices de violência em Sergipe.
Em sua posse, Alessandro destacou que a principal estratégia para cumprir tal objetivo, além da integração com a PM, será um enfrentamento mais direto aos homicídios e ao tráfico de drogas, crimes apontados como principais motores do aumento da criminalidade no estado. A decisão é baseada em sua experiência à frente do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que dirigiu por quase dois anos, até ser nomeado delegado-geral. Baseado na conclusão de que a maioria esmagadora dos homicídios tem relação direta ou indireta com a venda e o consumo de entorpecentes, o delegado buscou um trabalho conjunto do DHPP com o Departamento de Narcóticos (Denarc), cujas equipes passaram a trocar mais informações e até fazer operações conjuntas.
O novo gestor da Civil já anunciou que quer reforçar as equipes de investigação e captura dos dois departamentos e escolheu, como seus novos diretores, dois delegados do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope): Jonathas Evangelista, que dirigia o centro, e Osvaldo Rezende Neto, que já passou pelo Denarc. "São homens treinados no Cope, em condições operacionais e que têm um bom histórico de integração com a Polícia Militar. Já está definido [que daremos] um reforço expressivo para as equipes do DHPP e do Denarc", resumiu Alessandro.
Outros dois delegados experientes em operações foram escolhidos para as Coordenadorias de Polícia Civil. A da Capital (Copcal) será gerida por André Baronto, que estava no Denarc e já ficou cinco anos no Cope. Já a do Interior (Copci) fica com Fábio Pereira, que chefiava o 2º Núcleo de Investigações do Cope e, na semana passada, comandou a "Operação Remição", que investigou e prendeu um agente penitenciário acusado de fraudar dados do cumprimento das penas de alguns detentos do sistema prisional. "Realmente, passamos por uma crise de violência no interior, assim como no Brasil todo, mas o momento é de buscar soluções. A população está cansada de desculpas e os próprios colegas também, mas estamos aqui pra intermediar essas soluções", avaliou Pereira.
Praticamente todos os departamentos e delegacias já estão definidos por Alessandro Vieira, que preferiu escolher delegados mais jovens e mais ativos em investigações para os cargos mais importantes de direção e coordenação, dando um perfil mais operacional. Nomes mais experientes, como os dos delegados Everton Santos, Paulo Ferreira e até o ex-secretário João Eloy de Menezes, ficarão com delegacias de área ou como auxiliares nas unidades especializadas. A intenção do novo delegado-geral é "oxigenar" a polícia. "Praticamente toda a equipe por delegados jovens, nas suas primeiras oportunidades em missões de comando, mas já testados em operações. É até para garantir esse caráter mais operacional e mais proativo para a Polícia Civil", explicou Vieira.
Novos policiais – A nova cúpula aguarda ainda a nomeação dos 100 escrivães e 500 agentes de polícia aprovados no último concurso do órgão e que concluíram um curso de formação em dezembro do ano passado. Eles aguardam que as nomeações sejam assinadas pelo governador Jackson Barreto, mas parte deles pode ser deslocada principalmente para reforçar as equipes das delegacias no interior sergipano, onde a carência é considerada maior. Durante a posse de Vieira, Jackson não deu prazo para a nomeação dos civis, mas anunciou que 300 novos soldados da Polícia Militar serão formados e engajados no dia 7 de março. Outros 300 PMs que também concluirão o curso de formação podem ser nomeados até maio, a depender da situação fiscal e financeira do Estado.
O governador garantiu que os dois efetivos vão trabalhar integrados e serão mais ativos. "A sociedade criou muita expectativa com a nomeação desta nova equipe. Todos sabem das suas obrigações. Estamos aqui para prestar serviço à sociedade e atender o clamor da população, que coloca a área da Segurança Pública como a mais cobrada em termos de resultados. Queremos mostrar, por meio de resultados, a competência e operatividade dos profissionais de Segurança Pública do Estado, porque sei que contamos com homens e mulheres qualificadas e empenhadas no trabalho que escolheram desempenhar", discursou Jackson.

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