Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br
A Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) ainda não avaliou o pedido de reajuste da tarifa de ônibus para Aracaju.
Conforme a assessoria de comunicação da SMTT, o assunto somente deverá ser pautado pela direção do órgão após a formalização do pedido dos donos das empresas solicitando o reajuste. Também de acordo com as informações, a superintendência ainda não recebeu a solicitação e nem a planilha elaborada pela direção do Sindicato das Empresas de Transporte Público de Aracaju (Setransp).
Já de acordo com a assessoria de comunicação do Setransp, um ofício solicitando o reajuste da tarifa de ônibus foi enviado para a SMTT no início desta semana. Conforme alegações dos donos das empresas de transporte coletivo, o pedido de aumento da passagem corresponde a contrapartidas financeiras previstas pela Lei Orgânica do Município 1.765/1998 como forma de garantir a manutenção do equilíbrio entre a receita e o custo do sistema de transporte. A proposta é aumentar as passagens dos ônibus que circulam em Aracaju em 15%. Caso o percentual seja aprovado, a tarifa passará de R$ 2,35 para R$ 2,71.
Conforme explicações da diretoria do Setransp, o setor de serviço de transporte coletivo, diferente de outros segmentos da economia, não vem tendo o equilíbrio financeiro em razão do aumento sucessivo de custos relacionados à operacionalização do sistema. Ainda conforme justificativas dos donos das empresas de transporte coletivo, durante dois anos não houve reajuste de tarifa. Segundo alega a direção do Setransp no ano passado, o aumento na passagem na ordem de 4,44% não compensou os gastos provocados com a inflação oficial que superou a casa dos dois dígitos, registrando um percentual de 19,2879%.
Os proprietários das empresas afirmam que desde 22 de abril deste ano o reajuste da tarifa da energia elétrica está vigorando com 11,83% a mais no valor para residências e 12,17% para empresas e que a partir de 1º de março a conta de água também teve reajuste de 6,50%.
A direção do Setransp destaca que mesmo com a defasagem da tarifa as empresas concederam um reajuste retroativo a 1º de março de 8% aos rodoviários, além de 11,11% nos tickets alimentação e pagamento dos tickets nas dobras de serviço. Mesmo sem uma manifestação oficial, a SMTT já declarou que o órgão não tem a intenção de reajustar a passagem neste ano.
Em junho do ano passado, o Movimento Não Pago impetrou Ação Popular contestando o valor da tarifa a partir de um estudo da planilha feita pelos empresários. De acordo com as informações divulgadas pelos integrantes do Movimento, o documento apresentou a existência de fraudes no cálculo, a exemplo da inclusão de preços superfaturados de pneus e combustível, o pagamento de salários a cobradores-fantasma em micro-ônibus, e salários superiores a 11 mil reais ao pessoal da segurança dos terminais.
Segundo laudo técnico elaborado por economistas e outros especialistas do grupo, se as fraudes fossem retiradas o valor correto da passagem seria R$ 1,92, muito abaixo do que vigora atualmente.


