Bacanal em pousada acaba em estupro

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um bacanal realizado por dez jovens em uma pousada na Coroa do Meio (zona sul de Aracaju) acabou de forma constrangedora às 3h30 de ontem, com dois participantes envolvidos em uma acusação de estupro. Uma estudante de 18 anos denuncia que foi trancada em um banheiro e, mediante agressões, obrigada a fazer sexo com Cristiano Santos Silva, 27 anos. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Militar e, no final da tarde, acabou reconhecido por uma adolescente de 17 anos, a qual denuncia ter sido estuprada em setembro de 2012 na Avenida Oceânica, Barra dos Coqueiros (Grande Aracaju), após sair de uma festa. Por conta disso, Cristiano permanece detido e pode ter sua prisão preventiva decretada pela Justiça nas próximas horas.

Segundo a polícia, outra adolescente de 17 anos estava presente no encontro, que envolveu cinco rapazes e quatro mulheres com idades entre 18 e 30 anos. Por iniciativa dos homens, o grupo alugou a suíte de luxo da pousada para fazer o encontro, com direito a música alta e bebidas alcóolicas.  Antes, contudo, as garotas colocaram uma condição: só haveria qualquer tipo de relação afetiva ou sexual se ela fosse consensual, isto é, se ambos quisessem. O encontro começou no final da noite e foi até a madrugada, quando, de acordo com a polícia, o acerto entre os participantes foi supostamente quebrado.
"Em determinado momento, a moça que alega ser vítima foi ao banheiro e um cidadão estava lá também.

Foi aí que ele fechou [a porta do] banheiro e, conforme a vítima, tapando a boca dela e aproveitando-se do barulho do som ligado em volume alto, forçou ela a ter relações sexuais, mediante violência. O que chama a atenção e fez com que as outras pessoas acreditarem que a vítima realmente foi estuprada foi o fato  dela sair gritando do banheiro, assim que teve a oportunidade, já denunciando o fato. Ela estava trêmula, gesticulava muito e indicava que algo de errado aconteceu no banheiro", disse o delegado Augusto César Mendes, da Delegacia Plantonista (Centro), que registrou a ocorrência.

Após ela sair do banheiro, chorando muito, a vítima e as amigas procuraram ajuda no quartel do Grupamento Marítimo (GMar) do Corpo de Bombeiros, na Orla de Atalaia. Os soldados acionaram a Companhia de Policiamento de Turismo (CPTur) e uma guarnição foi enviada à pousada, onde a estudante confirmou o estupro e foi apoiada até pelos outros homens que a acompanhava. "Duas testemunhas já foram ouvidas: são rapazes, maiores de idade, que estavam no momento e também discordaram do comportamento do agressor e lamentaram a conduta dele, apesar de ambos serem colegas", afirmou o delegado, classificando a postura deles como outra hipótese confirmadora do estupro. Cristiano foi detido pelos PMs quando saía da pousada.

César também confirmou que a garota entrou em luta corporal com Cristiano, levando inclusive um soco, e apresentou ferimentos, como hematomas pelo corpo e um corte na mão. Enquanto a PM levava acusado e testemunhas para a Plantonista, o Serviço Municipal de Atendimento de Urgência (Samu) levou a vítima ao Pronto-Socorro Fernando Franco, no Augusto Franco (zona sul). Após ser medicada, ela foi à delegacia e prestou depoimento durante a manhã. À tarde, a jovem passou por exames de corpo delito e conjunção carnal no Instituto Médico-Legal (IML), os quais devem confirmar ou não o estupro.

A situação pode se complicar ainda mais para o acusado: segundo o delegado Augusto César, "o responsabilidade correu longe, porque a relação sexual, pelo que fui informado, foi feita sem preservativo". Além dos exames, a garota foi encaminhada para a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, onde recebeu medicação preventiva contra gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DST), além de passar por tratamento psicológico. O inquérito do caso já foi remetido para o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV).

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