Bactéria ainda ameaça paciente de UTI do Huse

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Técnicos do Ministério da Saúde visitaram na ma-nhã de ontem as dependências das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), que foram interditadas no último mês de maio em virtude do registro da bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC). Durante a visita ficou constatado representativa regressão no risco de novas contaminações devido ao trabalho de limpeza e desinfecção rigorosa da UTI-1 para que novos pacientes cirúrgicos e clínicos da Área Vermelha pudessem ser admitidos. Em contrapartida aos dados positivos gerados na UTI-1, a Unidade de Terapia Intensiva 2 e a Unidade de Contenção permanecem isoladas por tempo indeterminado a fim de evitar que a bactéria volte a se espalhar.

Apesar das boas expectativas apresentadas pelo Governo de Sergipe e Governo Federal, a direção do Núcleo de Epidemiologia, Controle de Infecção e Segurança do Paciente do Huse oficializou também na manhã de ontem que mais duas pessoas morreram enquanto recebiam assistência especializada. Ao realizar uma análise para registrar as causas que teriam gerado o óbito ficou constatada a existência da KPC no corpo delas, mas em nenhum dos casos os sintomas haviam desenvolvidos. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), a taxa de mortalidade em pacientes com infecção pela bactéria manteve-se em 3,7% (2/54), sendo de 9,2% (5/54) em pacientes colonizados; nestes últimos, os óbitos ocorreram por outras causas clínicas (cardíacas, neurológicas, hemorrágicas).

Pela infectologista Iza Maria Fraga Lobo, responsável por coordenar a equipe de combate à bactéria em Sergipe, foi dito que o esforço operacional e logístico realizado em conjunto pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), o Huse, a Fundação Hospitalar de Saúde e a SES contribuiu para o grupo alcançar aspectos positivos em curto prazo. "Esse trabalho tem permitido o monitoramento contínuo dos pacientes expostos a KPC nas UTIs e o controle efetivo de seu estado clínico e epidemiológico com culturas de vigilância, isolamento de contato, orientação dos profissionais, viabilização de novos espaços físicos e contenção efetiva da potencial disseminação dessa bactéria para outras unidades do hospital", destacou a especialista.

Dados do Ministério da Saúde mostram que a KPC trata-se de um microorganismo que foi modificado geneticamente no ambiente hospitalar e que é resistente aos antibióticos. No geral, os sintomas da bactéria KPC são como o de outras infecções, tais como febre, dores na bexiga (infecção urinária), tosse (infecção respiratória). A população não deve se preocupar, uma vez que a infecção por enquanto corre apenas dentro dos hospitais, e acontece basicamente por contato com secreção ou excreção de pacientes infectados.

Para os pacientes e acompanhantes que se encontram na unidade hospitalar o receio é de contaminação generalizada. Esse receio de complicações no quadro clínico é compartilhado pela itabaianense Karine da Paixão. "Quem é que não fica com medo de ficar com a saúde prejudicada? Com essa bactéria viva aqui no Huse não tem esse que não tenha nenhum pingo em ser contagiado. Estou acompanhando meu marido que sofreu um acidente na segunda-feira e tenho rezado quase que toda hora para que ele possa receber logo alta médica", destacou.

Ainda de acordo com Karine, ela também teme ser contaminada. "Eu também tenho medo de ficar aqui. Tenho medo de ter entrado com saúde e acabar me internando também", pontuou. O setor de infectologia do Huse comunicou ao Jornal do Dia que bactérias multirresistentes não são ameaças para pessoas saudáveis, sejam profissionais de saúde, familiares ou acompanhantes de pacientes portadores.

Análises – Em decorrência desses registros, a direção do Huse não descarta a possibilidade de continuar por tempo indeterminado realizando avaliações em pacientes que por ventura apresentem algum sintoma da Klebsiella. Ciente do receio popular, o diretor clínico do Huse, Marcos Kroger, garantiu que as pessoas devem manter a tranquilidade a fim de não gerar pânico. "Estamos trabalhando intensamente para combater esses registros e nessa manhã recebemos a presença de especialistas também do Ministério da Saúde que se preocupou em atuar pelo bem dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em Sergipe. Não existe motivo para maiores preocupações", destacou Kroger.
Ao Jornal do Dia a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde informou que a cada 48 horas uma nova nota técnica sobre a KPC é desenvolvida para dar seguimento ao combate à bactéria.

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