Balas perdidas ferem duas crianças durante tentativa de assassinato

Gabriel Damásio

 

Duas crianças ficaram feridas na noite desta quinta-feira em um tiroteio ocorrido no Loteamento São Francisco, entre os conjuntos Fernando Collor e João Alves, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). As vítimas, uma menina de 10 anos e um menino de nove, foram atingidas por balas perdidas disparadas por dois criminosos que tentaram matar um terceiro homem, segundo o relato inicial apurado pela polícia. O alvo do ataque fugiu do local, mas já foi identificado por policiais que atuam no caso e, segundo informações extraoficiais, seria um ex-presidiário já processado por assalto e tráfico de drogas.

As crianças foram atendidas no Hospital Regional José Franco, em Socorro, e transferidas em seguidas para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), no Capucho (zona oeste da capital). Segundo a assessoria de imprensa da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), o menino sofreu um ferimento de tiro no ombro direito e outro no braço, causado por estilhaços. Ele deixou o Huse às 5h de ontem, após liberação médica. A menina, que é irmã do garoto baleado, foi atingida no abdômen, passou por uma cirurgia e estava em recuperação pós-operatória até o fechamento desta edição, em estado de saúde considerado estável.  A SSP confirmou que agentes da Coordenadoria de Polícia Civil da Capital (Copcal) estiveram no Huse ao final da manhã de ontem e conseguiram ouvir o depoimento da garota sobre o incidente.

O ataque aconteceu por volta das 20h, perto de uma lanchonete na Rua João Edson. Muitas pessoas conversavam em frente às casas e observavam as crianças que brincavam nas calçadas. Elas acabaram surpreendidas por uma perseguição que começara na avenida principal do loteamento. Os dois marginais armados estavam a bordo de uma moto e entraram na rua disparando vários tiros contra um homem que corria para fugir deles. Os três conseguiram fugir, mas provocaram pânico entre os moradores da rua. Este clima aumentou quando as duas crianças atingidas correram até seus pais para pedir socorro. Alguns moradores levaram as crianças de carro até o Hospital José Franco, onde elas foram estabilizadas. Em seguida, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) transferiram os pacientes ao Huse.

Policiais da Copcal, da 5ª Delegacia Metropolitana (5ª DM) e do 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM) estiveram no local do atentado e tentaram levantar as primeiras informações, mas, de acordo com a SSP, os familiares das crianças não quiseram prestar boletim de ocorrência, alegando medo de represálias. Mesmo assim, um inquérito policial sobre o caso foi aberto na 5ª DM, sob responsabilidade do delegado Marcelo Pais, e algumas testemunhas chegaram a ser ouvidas ontem. Outras serão intimadas ao longo da próxima semana, incluindo o homem perseguido pelos atiradores, cuja identificação civil foi concluída pela Polícia Civil. A principal suspeita é de que o ataque foi motivado por um suposto acerto de contas. Os autores dos disparos devem responder pelos crimes de lesão corporal e tentativa de homicídio.

Por sua parte, a Polícia Militar garante que vem atuando no policiamento ostensivo do Fernando Collor e dos conjuntos residenciais do Complexo Taiçoca, em Socorro, mas prometeu reforçar o efetivo e as patrulhas na região. “Podemos assegurar à população de Socorro que a Polícia Militar está empenhada em reforçar mais ainda o policiamento que lá existe, com uma visibilidade e uma presença maior de policiais naquela área”, disse o comandante de Policiamento Militar da Capital, coronel Vivaldy Cabral, destacando que algumas operações preventivas aconteceram nos últimos dias em Socorro, com prisões de suspeitos e apreensões de armas e drogas.

Moradores do conjunto reclamam de outros crimes ocorridos no conjunto, incluindo outros dois tiroteios entre grupos de criminosos que se enfrentaram na mesma noite do incidente na Rua João Elias. Eles organizaram para hoje, às 18h, uma ‘Caminhada pela Paz’ que sairá pelas ruas do conjunto reivindicando o fim da violência e mais ações das autoridades municipais e estaduais para garantir a segurança do bairro e prevenir o envolvimento dos jovens com o crime. 

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