Milton Alves Júnior
A partir da próxima terça-feira, 06, todos os bancos em funcionamento em Sergipe vão estar fechados por tempo indeterminado. A medida faz parte da campanha salarial 2015 que compõe, além do reajuste salarial de 16%, sendo 5,7% de aumento real, participação nos lucros e resultados (PLR) de três salários mais parcela fixa de R$ 7.246,82; 14º salário; piso salarial equivalente ao salário mínimo indicado pelo Dieese, que hoje é de R$ 3.299,66; aumento no valor dos vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá para R$ 788 ao mês cada; garantia de emprego, e fim da pressão por metas e do assédio moral. Reunidos na sede do Sindicato dos Bancários (SEEB), a categoria aprovou pela Greve Geral e disse não aceitar a contraproposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) de 5,5% e abano no valor de R$ 2.500.
Conforme apresentado à classe trabalhadora, se for comparar o volume dos ganhos conquistados pelos bancos apenas no primeiro semestre de 2015, com o mesmo período do ano passado, a margem de lucro superou em mais de 27%. Números sindicais indicam ainda que, só nos seis primeiros meses deste ano o lucro das seis maiores, ou mais representativas instituições bancárias do Brasil, o índice de lucro ultrapassa a casa dos 32 bilhões de reais. Neste segundo semestre, por se tratar de um período mais propício para os lucros de banqueiros, a perspectiva é que 2015 seja concluído com um lucro orçado em 75 bilhões. Sem acordo coletivo, em especial entre bancos e servidores, a resistência bancária decidiu por unanimidade deflagrar suspensão integral dos serviços.
Para ajudar a fortalecer a mesa de negociação, nos últimos 15 dias a categoria promoveu atos públicos e retardou a abertura do expediente em bancos privados. Entre eles, estavam: Santander, Bradesco e o Itaú. Os protestos denunciaram as dificuldades nas negociações com os banqueiros. Quanto ao Banco do Estado de Sergipe (Banese), o lucro semestral foi de 24 milhões. Na avaliação da presidente Ivânia Pereira, a união da categoria é necessária para que o Comando Nacional dos Bancários conquiste êxito no pleito apresentado e gere progresso para todos, inclusive, aos clientes.
Ela garantiu que a categoria está disposta a dialogar com a Fenaban, mas não abre mão das reivindicações apresentadas. "Infelizmente o que estamos percebendo são os amplos lucros obtidos por todos os bancos, e a falta de interesse por parte destes mesmos bancos em atender nossos pedidos. Foram cinco reuniões extraordinárias, estressantes, difíceis e que resultou nessa contraproposta vergonhosa que foi dada pela Febraban. Apresentar uma proposta com perdas de 4% para a categoria é mangar da cara do povo", disse.
Ivânia Pereira informou ainda que desde o lançamento da Campanha Nacional dos Bancários, em Sergipe, o Sindicato dos Bancários tem intensificado visitas nas agências bancárias do setor público e privado, mantendo a mobilização da categoria, e dialogando com clientes e usuários.
Quanto ao diálogo realizado com gestores do Banese, os bancários declararam que rodadas de negociação apresentavam sucessivos progressos, porém retrocessos começaram a surgir para a categoria. A Minuta Específica dos funcionários do Banese tem 61 cláusulas e o documento oficial foi entregue à direção do banco no dia 31 de agosto. Para o bancário Anderson Chagas, os índices de desvalorização trabalhista e de desrespeito ao cliente consumidor são altos e cada vez maiores na sociedade brasileira. A greve está marcada para terça-feira, mas na tentativa de ampliar a pressão sindical, já a partir da próxima segunda-feira, 05, diversas agências bancárias em Sergipe vão abrir as portas com atraso de até três horas.


