Gabriel Damásio
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A polícia de Itabaiana (Agreste) vai investigar o que causou a morte do bebê Talisson Gabriel de Jesus Santos, que tinha apenas um mês de vida. Ele foi encontrado ao final da madrugada de ontem e, segundo informações, faleceu enquanto dormia ao lado da mãe, Bruna de Jesus Hora, 19 anos, em uma casa na chamada "Rua da Lama", no bairro Campo Grande, periferia da cidade serrana. Bruna foi detida pela Polícia Militar logo após a descoberta do corpo, pois recebeu denúncias de que ela teria um comportamento negligente com a criança, o qual teria resultado em sua morte.
De acordo com o comandante do 3º Batalhão da PM (3º BPM), tenente-coronel Reinaldo Chaves, o caso foi denunciado por volta das 5h, quando vizinhos pediram ajuda para o bebê, que estaria desmaiado, e avisaram que a mãe estaria possivelmente bêbada. Os policiais constataram a informação e acordaram Bruna, a qual disse aos policiais não saber o que aconteceu com a criança. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada para tentar socorrer Talisson, mas conseguiu apenas constatar sua morte. Por volta das 7h, o corpo do bebê foi recolhido pelo Instituto Médico-Legal (IML). Um grupo de vizinhos tentou linchar Bruna, mas foi impedido pelos PMs.
A mãe da criança foi levada para o quartel do 3º BPM e depois para a Delegacia Regional de Itabaiana, onde o caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção de matar). "Ainda é prematuro pra se ter qualquer tipo de conclusão, mas alguns fatos nos chamaram a atenção, e o principal foi o fato de a mãe não saber o que aconteceu com a criança para ela estar desfalecida. Apenas com a conclusão dos exames da Criminalística e do IML é que nós poderemos saber aproximadamente o horário em que aconteceu o óbito e também se a morte teve uma causa natural ou alguma causa externa", disse o coronel.
Outro fato destacado por Chaves foi o de Bruna ter sido detida pela própria PM na noite de domingo, horas antes da morte do bebê, após se envolver em uma briga com uma mulher, a quem acusava de ser amante de seu marido, que era pai de Talisson. Na confusão, a acusada teria tentado esfaquear a amante e o rapaz. "À noite, o batalhão recebeu uma ocorrência de vias de fato entre duas jovens, e a agressora tratava-se da mãe da criança [Bruna], que já estava totalmente embriagada. Ambas foram conduzidas para a Delegacia de Itabaiana para os procedimentos cabíveis", afirmou ele. Elas foram liberadas na mesma noite, mas devem ser chamadas novamente para depor.
Uma das suspeitas é a de que, por estar embriagada, Bruna teria dormido acidentalmente por cima do bebê, sufocando-o. Outra hipótese é de que a criança teria sido sufocada por uma terceira pessoa que entrou na casa. No entanto, de acordo com informações divulgadas ontem pelo blog do radialista Gilson de Oliveira, há denúncias de que os pais do bebê teriam consumido bebida alcóolica e usado drogas durante todo o fim de semana e que isso viria ocorrendo com frequência, a ponto de Talisson ter sido amamentado por uma tia. Esta suposta negligência também será investigada pela polícia.
"Com o apagão da mãe, a criança ficou vulnerável. Essa vulnerabilidade, sem o cuidado devido, foi um dos indicativos que provocaram a morte da criança", disse o delegado Alan Faustino, que ficará responsável pelo caso. Ele também prefere aguardar os laudos periciais para definir a causa da morte, mas acredita que a morte da criança não foi intencional. "Independentemente de ter sido proposital ou não, a mãe irá responder pela morte do bebê. O que muda é o tipo do crime que ela irá responder", resumiu. Bruna, que também é mãe de uma menina de dois anos, jura inocência e alega que seria incapaz de fazer qualquer coisa de ruim com os próprios filhos. O caso deve ser acompanhado pelo Conselho Tutelar de Itabaiana.


