Bolsonaro não gosta de mulher

Bolsonaro, o misógino.

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Os catálogos com modelos em roupas íntimas, esquecidos na mesa de centro, em casa das melhores famílias, já alimentaram fantasias dignas do Marquês de Sade. Soft porn para consumo apressado. Os meninos se esbaldavam. Para desespero dos sonhadores mais exigentes, no entanto, as moças nas páginas coloridas eram sempre as mesmas, adotavam as mesmas poses e trejeitos, todas iguais, tinham sempre as mesmas medidas.
Àquela altura, ninguém reclamava. A curiosidade era muita, a oferta de imagens pouca, quase nada. Sem educação sentimental, os inocentes ansiavam por mulheres de plástico, projetadas em computador. Os mais frágeis jamais se conformariam com a realidade à própria volta, sucumbiriam à misoginia, incapacitados para o amor, um pântano de fluidos e sensações cálidas, vereda repleta de suor, secreções e até lágrimas.
Mas nada como um dia depois do outro. Cedo ou tarde, os padrões de beleza e comportamento mudam. No campo da Cultura, sempre um pouco antes, por força de escândalo. Não à toa, um meme muito popular nas redes sociais acusa o choque de gerações, com ironia fina. Pouco importa a natureza do tema destacado no post, a conclusão é uma só: Pablo Vittar foi longe demais!
Todo mundo sabe, Jair Bolsonaro não gosta de mulher. Ao atacar a jornalista Vera Magalhães durante o debate eleitoral promovido por um pool de empresas de comunicação, contudo, o machista amarrado no peito do presidente pode ter dado um tiro no pé. Hoje, diversidade é uma exigência de mercado – o mercado eleitoral incluído!
Sim, o jogo virou. No vasto mundo onde o mulherio reivindica nomes próprios e faz as próprias rimas, Bolsonaro, o misógino, já não é produto fácil de vender.

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