Bomfim perde concessão de cinco linhas interestaduais

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou na última semana que a empresa de transporte rodoviário Senhor do Bomfim perdeu a licença para fazer o transporte de passageiros de cinco linhas interestaduais. São elas: Salvador/Penedo; Propriá/Penedo; Salvador/Maceió; Aracaju/Salvador e Aracaju/Feira de Santana.
Mesmo a resolução sendo publicada no Diário Oficial da União, não traz o prazo para que a transferência das linhas para outra empresa seja realizada. O que se sabe é que a empresa Águia Branca, com sede no estado do Espirito Santo deve assumir o comando das linhas.
A assessora de comunicação da empresa Bomfim, Débora Matos, assegurou que a venda das passagens continuam normalmente, pois a empresa continua a operar com as linhas até que seja definida pela ANTT a transferência das mesmas. "A empresa não vai fechar porque perdeu a concessão de cinco linhas, há outras linhas de percursos diferentes que a empresa mantém. Vamos continuar prestado um serviço de excelência como fazemos há quase 60 anos", observou.
Ela também tranquilizou os funcionários da Bomfim. "Não temos salários de funcionários atrasados, temos todas as certidões em dia, bem como os direitos trabalhistas e não vai haver demissões, os trabalhadores podem ficar tranquilos", garantiu. Débora complementou dizendo que o gestor da empresa é José Lauro Menezes, e não seu filho Lauro Antônio. "A empresa do pai não se mistura com as empresas do filho, são coisas distintas", relatou a assessora de comunicação.
As linhas citadas serão assumidas pela empresa Águia Branca, do Espírito Santo.

Melhoria – Quem precisa utilizar o transporte interestadual gostaria de ver a licitação ser realizada o quanto antes. Porém, a ANTT informou ainda que a licitação do transporte interestadual de passageiros que deveria ocorrer no mês de junho deste ano, foi adiada por tempo indeterminado por questões judiciais.
"Nós precisamos aqui é de concorrência por causa do preço das passagens. No horário comercial praticamente não existe e é bem menor que nos ônibus tipo Executivo e Gold", comentou um funcionário público, Jorge Augusto.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Luiz Moura, explicou que o setor rodoviário está em crise, por conta da concorrência das empresas aéreas, que teve constante queda de preços nas passagens. "O setor precisa se reinventar, as viagens têm que ter menor preço e serem mais seguras, mas isso exige custo e boa parte das empresas não querem arcar com essa despesa", disse Moura.
Ele chamou a atenção também para o setor rodoviário que se transformou em um cartel. "Poucas empresas atuam no mercado, de Sergipe duas ou três empresas vão para a Bahia, esse é um exemplo de um setor carterizado".
Ele cita ainda que o empresariado não tem motivos para usar como justificativa para o alto preço da passagem a carga tributária. "O Governo acabou com a CIDE dos combustíveis e desonerou a folha de pagamento, ou seja, criou melhores condições para os empresários e nem sem abrir mão do tributo significa melhoria para o passageiro", analisou.

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