Gabriel Damásio
Um cabo da Polícia Militar foi preso nesta quinta-feira por agentes do Departamento de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil, enquanto apresentava-se para o serviço em uma companhia do Batalhão de Policiamento de Turismo (BPTur), na Aruana (zona de expansão). Márlio Oliveira de Jesus, 46 anos, é acusado de fazer parte de uma quadrilha atuante no tráfico de drogas e munições em Aracaju, Grande Aracaju e Itaporanga D’Ajuda. A investigação teve a participação de equipes do Comando de Operações Especiais (COE) da PM. O comando da corporação acompanha o caso e confirma que ele pode ser expulso ao final de um processo administrativo disciplinar que será instaurado.
De acordo com o delegado Osvaldo Rezende Neto, do Denarc, a investigação foi um desdobramento da ‘Operação Transformers’, deflagrada em abril de 2015 pela Polícia Civil. Ela detectou uma série de crimes praticados pela quadrilha, como assaltos, furtos, receptação, corrupção, extorsão e até abordagens e buscas irregulares, feitas sem autorização judicial. Os crimes são atribuídos principalmente ao cabo Márlio e ao ex-policial militar Luciano dos Santos Andrade, o ‘Poli’, 43, considerado foragido. Os dois vinham sendo investigados desde o ano passado e tiveram as prisões preventivas decretadas pelo juízo da Comarca de Itaporanga.
Rezende informou que os casos apurados até o momento aconteceram principalmente em Itaporanga, onde algumas vítimas denunciaram ameaças e roubos realizados pelos acusados, que chegaram a fazer blitzes e invadir residências usando armas e equipamentos associados à polícia, como giroflex. “Esses crimes estão sendo catalogados e as investigações prosseguem no sentido de identificar quem são essas vítimas e qual era o modus operandi dessa associação criminosa. Nós esperamos que, com essa prisão, as vítimas possam comparecer à delegacia e contribuir para darmos continuidade às investigações”, disse ele, sem descartar a participação de outros policiais ligados à quadrilha.
O coronel Paulo César Paiva, relações-públicas da PM, admitiu que os crimes atribuídos aos dois são “muito graves”. Segundo ele, o cabo Márlio estava no BPTur há seis meses e antes fazia parte do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM), que respondia pelo policiamento de Itaporanga. Com 27 anos de corporação, ele já respondeu a um processo criminal na própria Comarca local. “O atual militar responde a esse processo e tem algumas trangressões disciplinares registradas em sua ficha. Diante dessas graves acusações levantadas contra ele neste momento, a Polícia Militar vai instaurar o Conselho de Disciplina, que é processo afeito a praças quando eles cometem delitos que afetam a honra e o pundonor militar. É óbvio que ele vai ter o direito ao contraditório e à ampla defesa, como manda a nossa Constituição”, disse ele.
Quanto a Luciano ‘Poli’, o coronel disse que ele foi expulso da corporação em 2002, por uma série de problemas disciplinares. “A ficha disciplinar dele acumulou muitas transgressões, incluindo disparos de arma de fogo em via pública – última transgressão cometida por ele à época. Depois de responder a um processo disciplinar, ele foi excluído a bem da disciplina. A nossa instituição não admite desvios de conduta e nós fazemos questão de cortar na própria carne para depurar as nossas fileiras”, garantiu Paiva.


