Kátia Azevedo
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Desde ontem, 28, os cardiologistas da Unidade Vascular Avançada do Hospital Cirurgia paralisaram os procedimentos eletivos (agendados) e estão atendendo somente casos emergenciais.
De acordo com a coordenação da Unidade Vascular, cerca de 18 médicos estão sem receber salários desde o mês de novembro por falta de repasses financeiros pela Secretaria Municipal de Saúde, o que está contribuindo para a dificuldade de completar a escala de plantões.
Por causa do atraso, o hospital vem apresentando dificuldades de operacionalização. Outros setores como o de neurocirurgia também enfrentam dificuldades. O hospital também está sem material em decorrência de atrasos junto a fornecedores, que estão há seis meses sem receber.
Os médicos chamam a atenção de que os atrasos não deveriam ocorrer, considerando que se trata de um serviço de alta complexidade.
O setor de radioterapia do hospital está com equipamento quebrado há mais de oito dias, prejudicando o tratamento de 70 pacientes com câncer. O aparelho funciona das 6h às 23h e sem manutenção preventiva, quebra com frequência. O problema, segundo médicos, está na falta de dinheiro para este fim.
O Hospital de Cirurgia é a única unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) em Sergipe que realiza atendimento aos casos de infarto agudo do miocárdio. Por causa dos atrasos salariais, os quase 18 médicos estão optando trabalhar em outros locais ao invés de continuar prestando serviço no Hospital de Cirurgia.
"Estamos recebendo os pacientes em emergência para não negligenciar o atendimento, mas a escala de fevereiro que é uma nova escala médica vai depender de médicos disponíveis e não estamos conseguindo médicos para fechar a escala", alerta Fábio Serra, coordenador da Unidade Vascular do Hospital Cirurgia.
O diretor do Hospital Cirurgia, o médico Gilberto dos Santos, e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) já foram informados oficialmente sobre as dificuldades com a escala.
Segundo a coordenação da Unidade Vascular, durante o mês são feitos 80 atendimentos com infarto do miocárdio. Deste total, são realizados cerca de 20 atendimentos eletivos por mês e caso não seja feito o pagamento até o final do mês fica difícil continuar o trabalho.
A Secretaria Municipal de Saúde agendou uma audiência pública para discutir o problema ainda esta semana. O órgão reconhece a dívida com os médicos, mas não tem conhecimento sobre o débito com os fornecedores. Ainda de acordo com a secretaria, o Estado tem uma dívida com o município de R$ 23 milhões e sem esse dinheiro fica inviável.


