Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br
Famílias que ocupavam casas no loteamento Estrela do Oriente, conjunto Bugio, em Aracaju, desde a manhã de ontem estão deixando o local por determinação da Justiça Federal em parceria com o Ministério Público Federal (MPF). Toda a ação de desocupação foi aprovada em decorrência de aproximadamente 150 famílias estarem ocupando um local de preservação ambiental, como também aterrando o mangue da região conhecido como Poço do Mero. Comunicados oficialmente há 30 dias pelo poder judiciário, assim que as máquinas chegaram para demolir os imóveis, os moradores se retiraram das casas sem dificultar o trabalho dos operários e policiais militar.
Orientados a buscar auxílio moradia e casas populares junto a Prefeitura de Aracaju, alguns moradores disseram que já tentaram se inscrever nos programas habitacionais, mas até a tarde de ontem nenhum representante do governo municipal havia convocado os populares para iniciar o processo de aquisição. Para o ex-morador João Clemente da Silva, o prazo dado pela justiça foi pequeno. "Pode até parecer muito, mas ainda não conseguimos arranjar um local ideal para confortar a nossa família. Há meses estamos tentando conseguir o apoio da prefeitura, mas até agora nenhuma resposta foi dada pela secretaria".
Devido a fragilidade das casas, muitas delas feitas de madeira e papelão, o trabalho durou pouco mais de oito horas para ser devidamente concluído. Na ação, agentes da empresa Torre também atuaram a fim de agilizar a demanda expedida pelo MPF. Garantindo não ter para onde ir, a dona de casa Jucilene dos Santos, moradora da região há 11 anos, disse que vai levar a família para alguma praça ou prédio antigo que atualmente encontra-se desabitado. "Não sei ainda pra onde vou. Essa noite vou passar aqui em alguma praça ou ponte, torcer pra não chover, e depois procurar algum desses prédios antigos para proteger meus filhos", disse.
Segundo informações de alguns ex-moradores, a perspectiva é que algumas famílias se desloquem para um prédio abandonado que fica na esquina da rua Capela com a Praça da Catedral, centro da capital. Atualmente, 100 famílias ligadas ao Movimento Organizado de Trabalhadores Urbanos (Motu) já ocupam o imóvel. Acompanhando in loco todo o processo de desocupação, Valdson Melo, coordenador de Controle Urbano da Empresa Municipal de Obras e Urbanismo (Emurb), garantiu que a prefeitura já iniciou o cadastramento de todas as famílias que moravam em palafitas e que são falsas as denúncias sobre uma possível desassistência por parte da prefeitura. Presume-se que mais de 500 pessoas ocupavam o loteamento de forma ilegal.
"É de extrema necessidade deixar claro que nós da prefeitura apenas estamos cumprindo uma determinação da Justiça Federal. Para evitar que as famílias do Estrela do Oriente ou do Anchietão ocupem as ruas, a Secretaria de Ação Social do Município está aqui para incluí-los em programas sociais", afirmou. Receosa quanto ao futuro das pessoas, a líder comunitária Ana Lúcia Santos garantiu que no local existem famílias que lá habitavam há mais de duas décadas. "Esperamos que a justiça não decida nos retirar antes de termos casa para nos mudar, não queremos ficar desamparados".
Além de representantes do MPF, Emurb, Polícia Militar e da Secretaria de Ação Social, a desocupação também foi acompanhada por servidores da Superintendência de Patrimônio da União (SPU), do Instituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e por agentes da Guarda Municipal de Aracaju.


