CASAS EM CONJUNTO CONTINUAM OCUPADAS

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

As mais de 500 famílias que se apossaram indevidamente de algumas residências em fase de conclusão no bairro 17 de março, Zona de Expansão de Aracaju, podem ser retiradas do local a qualquer momento. A Guarda Municipal de Aracaju (GMA) e a Polícia Militar de Sergipe (PM/SE) aguardam apenas uma ordem judicial para entrar em ação.

Há pouco mais de oito dias, os moradores decidiram ocupar as casa como forma de protestar junto à administração municipal por causa da demora na entrega dos imóveis, e pelos constantes atos de vandalismo e furtos causados por meliantes.

Segundo denúncias de alguns invasores, outro motivo que teria ocasionado a ocupação foi o atraso de dois meses no pagamento do auxílio moradia. Incomodado com a possibilidade de uma nova ação policial, o ajudante de pedreiro João Cícero torce para que a justiça entenda a situação das famílias e decida cobrar da prefeitura mais agilidade na conclusão da obra.

"É uma situação difícil e que os grandes não entendem a nossa realidade, viver nessas circunstâncias é complicado, estamos com medo de ser despejados do que é nosso. Pra completar, o auxílio ainda não foi liberado, e muitos, assim como eu, não têm pra onde ir com a família", declarou.

Com mais de 85% da obra concluída, a expectativa é que os imóveis sejam entregues às famílias contempladas até o início do próximo mês, porém, para isso ocorrer as famílias devem deixar o local e permitir que os operários continuem o serviço de acabamento. Entre os objetos furtados estão pias, portas, torneiras, janelas, vasos sanitários e telhas. De acordo com o diretor-geral da GMA, major Edênisson Santos da Paixão, a expectativa é que na próxima vez que os agentes se deslocarem até o bairro 17 de março os invasores já tenham se evadido, ou atendam as solicitações judiciais e se retirem sem promover confrontos com os órgãos de segurança.

"No primeiro momento percebemos que eles estavam agitados e resistiram à decisão. Para evitar maiores problemas, decidimos coletivamente nos retirar com a perspectiva que essas famílias devam sair temporariamente das casas. Esperamos que eles entendam a ordem judicial", disse.

Criado pela Prefeitura de Aracaju no mês de junho de 2010, o bairro tem como objetivo acomodar aproximadamente duas mil famílias oriundas das invasões do Morro do Avião, do Arrozal, Marivan, e Água Fria. Até o momento, cerca de 1.500 famílias já foram contempladas.

Corrupção – Em posse de um Boletim de Ocorrência (B.O.), Valter Duarte, um dos representantes da comunidade, garantiu que cerca de 300 casas foram vendidas por funcionários da própria prefeitura. Ainda segundo acusações, servidores que trabalham no gabinete do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) teriam sido beneficiados com algumas casas construídas especialmente para pessoas carentes.

"Acredito que Edvaldo não esteja sabendo desse tipo de procedimento. Sabemos que ele é um homem direito e que não permitiria esse tipo de ação corrupta, mas se apurar os fatos, vai perceber que gente ao lado dele está ganhando casa no lugar de quem realmente necessita", denunciou.

"Sabemos que Edvaldo não vem aqui, mas a presença do Bosco Rollemberg é essencial para que o direito dessas pessoas carentes continue valendo. Temos uma lista de servidores da PMA, e até parentes destes, que não precisam, e mesmo assim foram beneficiadas", concluiu.

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